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Na mira das ONG's e religiões

Amazonas em Tempo -Manaus-AM
07 de mar de 2006

A presença crescente de entidades religiosas e de organizações não-governamentais (ONG´s) em áreas indígenas está se tornando um problema para as representações desses povos, tendo em vista a precariedade na supervisão do Estado.

Um caso ocorrido ano passado na comunidade Suruwahá, em Lábrea, exemplifica a situação. Na época, duas crianças e mais seis adultos foram retirados de território indígena, sem autorização dos órgãos oficiais, para tratamento médico fora da aldeia, demonstrou como o controle na entrada e saída de terras protegidas pela União é ineficiente.

Os indígenas são da etnia Suruwahá e foram deslocados para São Paulo pela instituição Jovens com uma Missão (Jocum) em setembro de 2005 sem que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável pela saúde indígena, tivesse conhecimento do caso. Na ocasião, uma criança hermafrodita, de quatro anos, e outra com paralisia cerebral, de oito meses, foram levadas por membros da Jocum para o Hospital das Clínicas.

De acordo com o coordenador regional da Funasa, Francisco José da Costa Aires, os membros da Jocum não levaram ao conhecimento da fundação o que estava acontecendo. Ele disse que, quando a Funasa soube da situação interveio imediatamente no acompanhamento dos índios. A criança hermafrodita foi operada e a portadora de paralisia cerebral será encaminhada ainda esta semana para tratamento no hospital Sara Kubistschek, em Brasília.

"Desde setembro, quando tomou conhecimento do que estava acontecendo, a Funasa cumpre seu dever de cuidar da saúde dos índios. Tomamos também a decisão de afastar os tradutores da Jocum, que estavam acompanhando os Suruwahá. Isso porque entendemos que eles estavam distorcendo o que era dito pelos indígenas", falou.

Acolhida

José Aires disse que, apesar de o hermafroditismo ser um tema tabu entre as populações indígenas, a criança foi bem recebida em seu retorno à aldeia, mesmo tendo saído de lá com o sexo predominantemente masculino e voltado como "menina".

"A comunidade recebeu bem a criança, mas é difícil saber até quando essa aceitação será pacífica, já que ela nunca poderá reproduzir e isso é indispensável em uma aldeia. Quanto à criança com paralisia, acredito que ela também enfrentará muitos problemas na convivência com os outros membros da tribo. Mesmo recebendo o tratamento especializado, dificilmente ela conseguirá correr, pescar, nadar, enfim exercer atividades comuns à tribo", ponderou. Durante o tratamento, a criança e seus parentes ficarão instaladas na Casa do Índio (Casai) de Brasília.

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