VOLTAR

Na mira das ONGs e do PT

CB, Politica, p.7
13 de abr de 2004

GOVERNONa mira das ONGs e do PT
  A política econômica adotada sob comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e suas consequências sobre a vida dos brasileiros serão alvos, nesta semana, da avaliação de dois colegiados que integram a base política e social do governo. Hoje, a Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais promove, no Rio de Janeiro, o seminário Avaliação do Governo Lula, com a presença de representantes de ONGs de todo o país. No fim da semana, reúne-se o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, sob pressão de parlamentares que reivindicam mudanças já na política econômica, classificadas pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, como infantis.   O presidente do PT, José Genoino, em entrevista veiculada ontem pelo site do partido, avisou que o objetivo da reunião do diretório não é prender-se apenas à discussão das metas macroeconômicas. Segundo ele, o encontro deverá servir ao debate de projetos de desenvolvimento para a geração de emprego e renda. Temos de debater como articular todas as iniciativas e projetos do governo para a política industrial, o projeto para a construção civil, o crédito popular e o aumento do salário mínimo. Ponto central Tanto entre petistas como em organizações não-governamentais historicamente ligadas ao PT, contudo, há indícios de frustração e de ansiedade quanto à política econômica e seus efeitos. Para o diretor-geral da Associação Brasileira das ONGs, Jorge Eduardo Saavedra Durão, por exemplo, o cenário econômico é o ponto central de problemas que surgem na área social e no meio-ambiente. Está cada vez mais distante a promessa, feita pelo candidato Lula, de conseguir mais empregos. Além disso, houve uma diminuição nos gastos com o social, o que surpreendeu as ONGs, justificou.   Segundo ele, o que mais está preocupando as entidades é a falta de sinais do governo de uma mudança na área econômica. É como se o governo interiorizasse um bloqueio intransponível para mudança de política econômica, o que não há, analisa. Ele também classificou como frágil a credibilidade do governo Lula no mercado internacional, e suscetível ao cenário da economia externa.   Este será o primeiro seminário com este objetivo realizado pela Abong durante o governo Lula. A idéia do encontro é buscar soluções para o cenário atual. Não gostaríamos de agir precipitadamente. Agora, após um ano e meio de governo, podemos avaliar melhor o que foi feito, e o que não foi, explicou. Segundo Durão, a entidade pode formular um documento para ser entregue ao governo federal com as sugestões propostas no seminário.

CB, 13/04/2004, p. 7

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.