OESP, Internacional, p. A15
05 de Out de 2011
Na Colômbia, 'Telefone' vira nome de índio
Nos anos 70 e 80, funcionários registraram membros de tribo como 'Cabeção' e 'Bêbado'
BOGOTÁ
Nas décadas de 70 e 80, integrantes da tribo wayuu que vivem na Colômbia ganharam documentos de identidade. Sem entender nenhuma palavra em espanhol e sem o auxílio de um intérprete, todos foram registrados com a mesma data de nascimento, 31 de dezembro, e ganharam nomes, numa brincadeira de mau gosto, como Marilyn Monroe, Cabeção, Coito, Telefone, Monja, Palhaço, Bêbado e Cappuccino.
O caso é contado no documentário Nascidos em 31 de dezembro, da colombiana Priscilla Padilla, com base no conto Declara não saber assinar, da líder indígena wayuu Estercilia Simanca Pushaina. Ao jornal digital El Espectador, a escritora disse: "Quando terminei a faculdade de direito, percebi que todos os documentos tinham a inscrição 'declarou não saber assinar', e as datas de nascimento eram idênticas. Reparei nos nomes. Meu tio Tanko foi registrado como Tarzan, Dorila era Espinha e Castorila era Coisinha Rica", afirma Estercilia. "Muitos nomes atentam contra a dignidade do ser humano. Tentaram mostrar serviço ao dar documentos para os índios, mas mostraram uma ação desumana."
Estercilia pensou em processar o responsável pelos registros na época, mas Roldán Jiménez já morreu. Segundo ela, quem quiser fazer um novo documento precisa pagar pela mudança e cada novo registro custa 200 mil pesos colombianos (cerca de R$ 190). O governo já manifestou que pretende retificar os documentos, mas não deixou claro se a mudança será cobrada.
Martín Fernando Salcedo Vargas, delegado hoje responsável pelos registros, diz que não há razões para acreditar que funcionários da antiga gestão deram os nomes para os índios e afirma que, na comunidade, é comum que as pessoas mudem de nome. "Eles vivem numa região onde é comum que a pessoa tenha vários documentos de identidade."
OESP, 05/10/2011, Internacional, p. A15
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