OESP, Caderno 2, p.D16
26 de Nov de 2004
Museu de Porto Seguro reconta história do País
Mapas e peças indígenas integram acervo do centro que revê a fusão de raças formadoras da identidade brasileira
Biaggio Talento
Correspondente
Gilberto Freyre, Darci Ribeiro e Câmara Cascudo certamente ficariam orgulhosos do Museu de Porto Seguro, inaugurado hoje na cidade-símbolo do Descobrimento do Brasil. A temática escolhida, a formação do povo brasileiro, é assunto recorrente nas obras dos três principais estudiosos da miscigenação pátria.
Exatamente pelo fato de Porto Seguro ter sido o local onde o português se encontrou pela primeira vez com o índio e iniciou a colonização do Brasil com a ajuda (forçada) do escravo africano, é que a Fundação Roberto Marinho com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional (Iphan) e Eletrobras resolveu montar o museu, no antigo prédio da Casa da Câmara e Cadeia do século 18.
"Porto Seguro é um local emblemático, do encontro de culturas", destaca Ana Rosa Saraiva, que integra a equipe de técnicos responsável pela montagem do museu. Ela disse que há tempos a fundação planejava instalar um centro que contasse a história da fusão de culturas do País e quando surgiu a oportunidade de isso ser feito na região do Descobrimento houve uma grande euforia.
Orçado em R$ 1,6 milhão, a proposta do museu é fazer uma viagem ao Brasil de 500 anos atrás. Para tanto, os organizadores dividiram o espaço em várias alas. Na primeira, no segundo andar, está a sala Ritos e Crenças, dedicada aos ancestrais dessas terras. É decorada com objetos feitos por índios de várias etnias de todo o Brasil.
Estão expostos, por exemplo, diademas feitos pelos caiapós-xicrim (Pará) e utilizados pelas meninas em uma cerimônia chamada nhiok, na qual elas recebem um nome de herança, transmitido através das gerações.
No mesmo pavimento, a sala Mapas e Viagens reúne reproduções de mapas da costa brasileira e de cartas de navegação, elaboradas durante a colonização. Além disso, o visitante pode conhecer alguns dos equipamentos usados pelos aventureiros portugueses nas perigosas travessias oceânicas, como a bússola, a rosa dos ventos e um tipo de esfera celeste - que permitia medir a posição das estrelas em relação ao horizonte. A terceira sala, batizada de Encontro e Povoamento, mostra o impacto do amálgama das três culturas e as conseqüências disso para o País.
Três telões vão apresentar uma projeção que mistura trechos de filmes históricos com fotografias, iconografias e até textos literários. No térreo do prédio está a didática Linha do Tempo, que conta de forma resumida os episódios que mais marcaram a história da região e do Brasil. Também é nesse pavimento que ficam a sala de exposições temporárias e o café. A última sala, que foi usada por muitos anos como cela para os presos, recebeu uma instalação que recria o ambiente original.
Com projeto educacional voltado para os estudantes, o Museu de Porto Seguro (73 288-5182) certamente agradará aos visitantes de todas as idades que fazem da cidade o principal destino turístico da Bahia depois de Salvador. O museu dispõe de uma equipe de monitores formada por professores da rede pública municipal que orientará o público.
OESP, 26/11/2004, p. D16
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