Brasil Norte-Boa Vista-RR
31 de Ago de 2004
A ONG americana Rainforest Foundation, junto com a índia Joênia Batista Wapichana, advogada e assessora jurídica do Conselho Indígena de Roraima (CIR), quer que a Organização dos Estados Americanos (OEA) pressione o governo brasileiro a homologar rapidamente a demarcação de 1 milhão e 700 mil hectares para os povos indígenas de Roraima, e para tanto denunciaram o país junto àquela organização.
Segundo o senador Mozarildo Cavalcanti, essa denúncia faz parte de uma grande orquestração que tem por objetivo coagir o governo brasileiro a homologar as terras indígenas nas condições ditadas por entidades religiosas e ONGs que atuam naquela região.
Esses grupos, diz o senador, sob o pretexto de defender os direitos dos índios, pleiteiam que a reserva Raposa/Serra do Sol seja homologada como área contínua, somando nada menos que 1 milhão e 700 mil hectares, para cerca de 15 mil índios que ali vivem, dos povos wapichana, macuxi, ingaricó, patamona e taurepang.
"O que defendemos é que 90% da população indígena daquela região defendem: que se retirem, na homologação da reserva, os municípios, as vilas, as áreas produtivas e as vias que permitem o escoamento da produção da região. Queremos também que a segurança de nossas fronteiras seja mantida. Isso leva a uma preocupação crescente com a questão da segurança nacional, com a questão da integridade do território brasileiro e também com o descaminho das nossas riquezas, sejam as riquezas minerais, sejam as da nossa biodiversidade", explica.
O senador chama atenção para o fato de que entre os próprios índios que habitam a área da reserva Raposa/Serra do Sol não há um consenso a esse respeito; ou, para melhor esclarecimento: "a grande maioria dos índios que ali vivem tem se manifestado favorável à homologação em ilhas, preservando os municípios, as áreas produtivas, as vias de acesso e as vilas, o que equivaleria a uma redução de aproximadamente 15% da área demarcada. Esse ponto de vista é compartilhado também por representantes das Forças Armadas, empresários, governantes e pela imensa maioria da população civil brasileira, que conhece os riscos decorrentes da demarcação de uma reserva indígena com essas dimensões", conclui
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