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Mundo terá 342 milhões vivendo na extrema pobreza em 2030

O Globo, Economia, p. 18
23 de Set de 2012

Mundo terá 342 milhões vivendo na extrema pobreza em 2030
Segundo relatório, meta da ONU de erradicar miséria não será cumprida

LUCIANNE CARNEIRO
lucianne.carneiro@oglobo.com.br

Mesmo no cenário mais otimista de crescimento da economia e de diminuição da desigualdade de renda no mundo não deve ser possível zerar a pobreza extrema até 2030, como é a meta da Organização das Nações Unidas (ONU). Estimativa presente no relatório "Investimentos para acabar com a pobreza", da organização independente Iniciativas do Desenvolvimento, prevê que o número de pessoas em situação de pobreza extrema será de 342 milhões em 2030. No cenário mais pessimista, diz o relatório, este número poderá alcançar 1,04 bilhão. E, na melhor das hipóteses, será de 107,9 milhões, diz o estudo, citando dados do Brookings Institution.
O relatório será apresentado nesta segunda-feira, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Pobreza extrema é considerada aquela em que a pessoa vive com menos de US$ 1,25 por dia. Uma das oito Metas de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas pela ONU em 2000, era reduzir pela metade a população em pobreza extrema até 2015. O texto diz que o objetivo foi alcançado em 2010, antes do prazo. Em 2012, na Rio+20, alguns líderes mundiais sugeriram como nova meta a erradicação da pobreza extrema até 2030, proposta que foi aceita pela ONU.
O relatório aponta que a África Subsaariana deve passar o Sudeste da Ásia como a região com maior número de miseráveis do mundo. Em 2010, eram 414 milhões de pessoas, ou 34% de toda a população em pobreza extrema na África Subsaariana, contra 507 milhões no Sudeste da Ásia. Em 2030, a previsão é que a África Subsaariana ainda tenha 275 milhões no grupo, ou 80% dos miseráveis no mundo. Já o Sudeste da Ásia deve ter recuo expressivo no número de miseráveis, para 46,3 milhões de pessoas.
"É improvável que apenas o crescimento econômico nos leve a zerar a pobreza extrema a tempo. Crescimento será crítico para reduzir a pobreza, mas não rápido nem inclusivo o suficiente. Mesmo nos melhores cenários, ainda teremos mais de 100 milhões de pessoas na pobreza extrema em 2030", diz o relatório.
Governos gastam US$ 5,9 tri
Os governos dos países em desenvolvimento gastaram US$ 5,9 trilhões em programas para reduzir a pobreza em 2011, mostra o estudo. O valor é quase o triplo dos US$ 2,1 trilhões de recursos internacionais recebidos por esses países naquele ano.
O relatório aponta que os gastos dos governos têm aumentando significativamente. Mais da metade dos países em desenvolvimento viu essas despesas crescerem mais de 5% entre 2000 e 2011. Na outra metade dos países, a média de crescimento foi de 2,5%. Ainda assim, os países mais pobres continuam a enfrentar limitações de recursos. Cerca de 82% dos pobres do mundo vivem em países em que o gasto do governo por pessoa são menores que US$ 1 mil (em paridade de poder de compra).
Uma das principais fontes de recursos para a redução da pobreza vem da ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês). O valor chegou a US$ 148,4 bilhões em 2011 e cerca de dois terços vêm de cinco países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Japão.
O Brasil é o quarto maior doador desse tipo de ajuda entre os países que não fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimenot Econômico (OCDE), com US$ 1 bilhão em 2010. Ao mesmo tempo, foi o 40o países que mais recebeu esses recursos, no montante de US$ 1 bilhão também.

Brasil entre os que mais gastam

O Brasil gasta quase US$ 4 mil por pessoa, por ano, em programas de combate à pobreza, segundo o relatório "Investimentos para acabar com a pobreza", da organização Iniciativas do Desenvolvimento, o que faz o país ocupar a 12ª posição entre 148 países em desenvolvimento. Os dados consideram o dólar por paridade de por de compra. O documento cita o Brasil, ao lado da China, como país que teve "grande progresso na redução da pobreza".
"Durante períodos de crescimento econômico rápido e sustentado, ambos (os países) reduziram dramaticamente o número de pessoas em extrema pobreza. Os recursos do governo também subiram rapidamente, para US$ 4 mil por pessoa no Brasil e US$ 1.760 na China", diz o texto, acrescentando que as perspectivas para a erradicação da pobreza no Brasil são boas. No ano 2000, o valor no Brasil era de US$ 2.730.
Do grupo de 38 países em desenvolvimento com gastos anuais acima de US$ 2 mil por pessoa, o Brasil reúne cerca de um terço da população, ou 12 milhões dos 30,1 milhões de pessoas.
Uma página inteira do documento é dedicada à política de transferência de renda do Brasil. O foco dos programas de transferência de renda, segundo o texto, ajudou na redução da desigualdade.
O relatório destaca, no entanto, que apesar da contribuição dos programas de transferência de renda, os fatores mais importantes para a redução da pobreza foram geração de emprego formal e a política de fortalecimento do salário mínimo.

O Globo, 23/09/2013, Economia, p. 18

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