O Globo, Economia, p. 33
10 de Abr de 2010
Multas a térmicas de Bertin superam R$ 1 milhão
Possível interessado em Belo Monte tem 4 usinas com obras atrasadas. Grupo contesta
Ronaldo D'Ercole
Cotado para encabeçar um novo consórcio para disputar o leilão da usina de Belo Monte e com a bênção do governo, o grupo Bertin tem um histórico pouco abonador nos negócios que empreende no setor elétrico. Entre junho de 2009 e fevereiro deste ano, quatro projetos de termelétricas pertencentes à Cibe Participações, o braço da Bertin no setor, foram autuadas e multadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), todas por atraso nos cronogramas das obras e no início de operação. O total das multas passa de R$ 1,2 milhão, mas, com os descontos concedidos pela Aneel, ficaram em R$ 500 mil.
Embora devesse estar em operação desde janeiro do ano passado, a termelétrica de Camaçari Polo de Apoio I (Arembepe Energia S.A.), tinha apenas 78% da construção executados, segundo inspeção da Aneel, que resultou em multa de R$ 244,4 mil.
No início de dezembro, a agência constatou que a termelétrica de Campina Grande, também do grupo, estava com 75% de seu projeto pronto. Como deveria estar pronta no fim daquele mês, outra multa foi aplicada, esta de R$ 146,8 mil.
Em fevereiro deste ano, novamente por descumprimento de prazos, que já haviam sido prorrogados, foi a vez da térmica Maracanaú, no Ceará, ser autuada em R$ 100 mil.
Procurado pela reportagem, o grupo Bertin informou por meio de comunicado que tem usinas em operação e outras "em desenvolvimento". Mas negou ter recebido "quaisquer multas imputadas pela Aneel".
Segundo a nota, os prazos para entrada em operação das usinas "em desenvolvimento" estão seguindo os cronogramas estabelecidos com as autoridades competentes.
Grupo não cumpriu prazo para depósito de garantias
Todas as autuações mencionadas acima e as respectivas exposições de motivos, contudo, estão publicadas no portal da Aneel na internet, e também foram confirmadas pela assessoria do órgão.
Mesmo quando deu seu maior salto no setor e, em sociedade com a Equipav (grupo do segmento sucroalcooleiro), venceu o leilão para a construção de outras 21 termelétricas, com capacidade total de 2,6 mil megawatts, a Bertin teve problemas com as autoridades reguladoras.
Por não cumprir o prazo para o depósito de garantias por ter vencido a disputa, da ordem de R$ 190 milhões, a Aneel executou depósito de R$ 20 milhões do grupo, dado como caução para a participação no leilão.
Segundo fontes do setor elétrico, e ao contrário do que afirma o grupo, seis das 21 usinas arrematadas no leilão de 2008, e que devem estar prontas para operar no início do próximo ano, estão com as obras atrasadas em relação aos cronogramas acertados com a Aneel.
- O grupo Bertin é muito dinâmico e tem grande experiência em outras áreas. Mas no setor de energia não há muita margem. Ou você anda direito, ou você anda direito - disse um empresário que atua no setor.
O Globo, 10/04/2010, Economia, p. 33
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