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Mulheres Xinguanas conquistam novo espaço para discutir suas questões específicas

ISA-Socioambiental.org-São Paulo-SP
Autor: Rosana Gasparini.
12 de out de 2005

No período de 1o a 4 de outubro, 60 mulheres das etnias Kaiabi, Yudja, Ikpeng, Kamaiura, Trumai e Waura, que habitam o Baixo e Médio Xingu, se reuniram no Posto Indígena Diauarum, no Parque Indígena do Xingu, para debater saúde feminina e as doenças sexualmente transmissíveis.

O II Encontro das Mulheres Xinguanas foi organizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o ISA e a Associação Terra Indígena Xingu (Atix) com apoio do Distrito Sanitário Especial do Xingu. A antropóloga Carmem Junqueira, a médica Neila Speck, a cantora Kátya Teixeira e o chefe do DSEI, Jamir Ferreira, foram os convidados.

A escolha do tema foi iniciativa das mulheres xinguanas, preocupadas com a ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis - DSTs - que passaram a fazer parte do quadro de doenças do Xingu a partir dos últimos anos, quando a freqüência de homens na cidade começou a se intensificar. As conseqüências se agravaram com o aumento de casos de câncer de colo de útero, hoje associado ao vírus HPV, um tipo de doença transmitida por relações sexuais. Essa preocupação havia sido manifestada pelas mulheres há dois anos durante a realização do I Encontro na aldeia Yawalapti.

Durante o dia, conversavam sobre os cuidados com o corpo nas diferentes fases da vida e as doenças a elas associadas e recebiam informações sobre formas de contágio das DSTs e sua evolução. À noite, apresentavam a todos as danças tradicionais de cada povo ali representado e ouviam as cantigas entoadas por Katya Teixeira.

Por quatro dias, 60 mulheres reunidas por etnia, puderam debater propostas de prevenção desse tipo de doença no Xingu. Conversaram sobre a adoção de novas atitudes com relação ao comportamento sexual em cada comunidade, introduzindo os preservativos fora do relacionamento conjugal, reforçando o cumprimento das regras tradicionais relacionadas aos cuidados com o corpo e decidindo por compartilhar com os homens as formas de prevenção. Os que estavam presentes também formaram um grupo para discutir seu papel na questão.

Algumas das mulheres, por recomendação da equipe médica da Unifesp, passaram por exames ginecológicos com a dra. Neila, que tem acompanhado as que precisam de uma referência secundária e terciária no Ambulatório do Índio e no Centro Alpha, da Unifesp em São Paulo.

Ao final, as mulheres escolheram o tema do próximo encontro, que será o parto tradicional, o trabalho das parteiras, os problemas que elas têm enfrentado no dia-a-dia a partir das mudanças de costumes e comportamentos, e da dificuldade que têm tido em repassar seu conhecimento para mulheres mais novas.

Esses encontros estão se firmando como um novo espaço conquistado pelas mulheres xinguanas para discutir suas questões específicas e também participar das decisões políticas no Parque Indígena do Xingu.

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