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09 de Abr de 2010
Representantes de 21 assentamentos localizados em sete municípios de Sertão pernambucano participam nesta sexta-feira (09) da aula inaugural do projeto Nossas Mulheres, que visa capacitar 70 trabalhadoras rurais em artesanato, políticas públicas, cooperativismo e associativismo. O projeto é resultado de um convênio entre o Incra do Médio São Francisco e a ONG Asa Branca. Financiado com recursos do programa Terra Sol, o curso tem duração de seis meses e terá como resultado a criação uma cooperativa para inserção dos produtos artesanais no mercado local e nacional. A primeira aula foi realizada nesta sexta-feira no Centro de Formação Diocesano, em Petrolina/PE.
O Convênio firmado foi no valor de R$ 116.034 mil, sendo R$ 7,8 mil de contrapartida da ONG. Estão sendo beneficiados os assentamentos: Santa Tereza, Pedro Saulo e Maravilha, em Dormentes; Nova Esperança I, em Afrânio; Nossa Senhora de Fátima, Mansueto de Lavor, São José do Vale, 1 de Maio, Mandacaru, Terra da Liberdade e São Paulo, em Petrolina; José Ramos e Alto da Areia, em Lagoa Grande; Vitória, Safra, Boqueirão e Brilhante, em Santa Maria da Boa Vista; Várzea Grande, em Orocó; e Riacho do Boi, Barro Vermelho e Juventude, em Cabrobó.
A capacitação será composta por dois momentos: o primeiro em sala de aula, onde as alunas receberão a teoria; e o segundo momento no campo, quando elas serão orientadas sobre a coleta da matéria prima. Serão ministrados cursos sobre boneca de pano, artesanato de palha da bananeira e palha de milho, com palestras sobre políticas públicas, cooperativismo e associativismo durante todos os módulos, para que as assentadas adquiram a condição necessária à administração da cooperativa que será criada ao final do convênio.
Para Luciana de Jesus Silva, casada e mãe de dois filhos, assentada no Vitória, do município de Santa Maria da Boa Vista, a 100 quilômetros de Petrolina, o projeto de capacitação e a criação da cooperativa é uma demanda antiga desse grupo de mulheres. Elas vinham participando de feiras e eventos de exposição desde 2006, entretanto, sem a organização necessária para a projeção dos produtos como desejavam. "Agora poderemos nos desenvolver no artesanato, melhorar a qualidade da nossa arte e ainda teremos a nossa cooperativa para comercializar os produtos em maior quantidade, aumentando a nossa renda, a renda da nossa família e melhorando a situação no nosso assentamento, por que levaremos o conhecimento adquirido para a nossa comunidade", avalia.
Segundo Rita Maria Rosa da Silva, presidente da Asa Branca, a concretização do projeto é um sonho realizado, pois vai permitir mudanças significativas na vida das famílias e assentamentos envolvidos, por meio da projeção dos produtos nas feiras e exposições regionais e nacionais. "Ver essas mulheres dentro de uma sala de aula, aperfeiçoando o que gostam, mais do que uma batalha vencida é um sonho realizado. Elas não desistiram e permaneceram firmes até agora e tenho certeza que permanecerão sempre, principalmente, quando a cooperativa for criada e seus produtos forem reconhecidos nacionalmente", afirma.
Durante a aula, o Incra foi representando pelos servidores José Cesar Bezerra, chefe-adjunto da Divisão de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento, e Henrique Dias, assessor do Gabinete, que ressaltaram o uso frequente do artesanato como alternativa de produção e renda das trabalhadoras rurais na região do São Francisco pernambucano. "Com a implementação da produção artesanal pelas trabalhadoras, aumenta-se o leque de geração de renda familiar nos assentamentos, trabalhando a questão de gênero com inclusão social e qualidade de vida", declara Cesar Bezerra.
Para Dias, o fomento da produção e a criação da cooperativa são estrategicamente positivos para essas comunidades. "Existe na nossa região um fluxo turístico atraído pelos vinhos e frutas locais, além do exotismo do Rio e da cultura regional, constituindo um canal de escoamento para o artesanato".
O Sertão do São Francisco Pernambucano engloba os municípios de Dormentes, Afrânio, Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Orocó e Cabrobó. Concentra 4,3% da população do Estado, com 341.58 mil habitantes.
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