Zero Hora-Porto Alegre-RS
Autor: ALINE CUSTÓDIO
14 de Dez de 2004
=Mãe de 12 filhos e analfabeta, Maria Antônia Soares da Silva, 45 anos, de Estrela, é a única mulher cacique em uma aldeia no Estado. Ela foi eleita em fevereiro de 2003 com mais de 90% dos votos das 21 famílias do local. Superando dificuldades - como a perda da primogênita de um ano, levada por uma família de Lajeado há 28 anos -, a filha de pai guarani e mãe caingangue é considerada uma guerreira na aldeia às margens da BR-386. Natural de Santa Cruz do Sul, Maria Antônia sonha rever a filha perdida e ver demarcadas as terras da aldeia. Leia trechos da entrevista:
Zero Hora - O que a senhora conquistou para a aldeia?
Maria Antônia Soares da Silva - Me tornei líder há 15 anos com a morte do meu pai. Há dois anos, criei na aldeia uma escola de Ensino Fundamental. Hoje, 20 crianças estudam aqui. Construímos um poço artesiano e ganhamos energia elétrica.
ZH - O que mudou na aldeia com a eleição?
Maria Antônia - Tudo. A Emater nos ajudou com uma carroça e um galpão. Uma organização não-governamental ajuda na horta comunitária, novidade na aldeia. Freqüento as reuniões de caciques na Funai, em Passo Fundo, e sou bem recebida. Também viajei duas vezes a Brasília para pedir a demarcação das nossas terras. Parece que temos direito a 450 hectares desta região.
ZH - Nunca houve divergências no grupo?
Maria Antônia - Foram poucas. A última ocorreu no ano passado com o meu marido. Ele havia bebido e me desacatou como cacique. Não tive alternativa e o amarrei dentro de casa até se acalmar. Se todos me respeitam como cacique, ele também precisa respeitar.
ZH - Pretende se candidatar em uma nova eleição?
Maria Antônia - Acho que nem vou sair, querem que eu continue. Para 2005, quero uma agente de saúde indígena para a aldeia e um quiosque para vender artesanato.
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