Gazeta de Cuiabá-Cuiabá-MT
22 de Fev de 2004
"Nós não somos culpados a rigor. Simplesmente olhar os outros como vítimas, não ajuda em nada".
A declaração de João Dal Poz Neto perpassa delicada questão antropológica: os brancos são exclusivamente causadores dos males à vida e saúde dos índios?
O pesquisador tenta desmistificar o paradigma. Ele defende a tese de que, sociedades indígenas estão suscetíveis a sofrer transformações e a piratear, voluntariamente, elementos culturais alheios.
Dessa forma, resultados avassaladores não condizem unicamente às ações ou imposições de padrões pelos brancos.
"Tem índio Cinta Larga morrendo de diabetes, porque a compulsão deles por açúcar é tamanha que não conseguem eliminar o consumo", exemplifica o antropólogo João Dal Poz Neto.
Outro exemplo, ainda culinário. Está ocorrendo, em aldeias, a utilização do óleo de soja, substituindo a gordura animal extraída da caça. Com a incorporação e difusão do novo hábito, se desenvolve rapidamente a hipertensão arterial e outros problemas no aparelho circulatório. Dal Poz defende então um olhar mais complexo.
"Eles são atores e também não são anjinhos no paraíso. São uma sociedade real, formada por pessoas, que também interagem e têm as suas perversidades sociais", conclui o antropólogo. (JS)
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.