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Mudanças climáticas vão causar conflitos e agravar rivalidades

O Globo, Ciência, p. 26
25 de Mar de 2014

Mudanças climáticas vão causar conflitos e agravar rivalidades
Alerta da ONU faz parte do próximo informe do painel intergovernamental

Secas, inundações, conflitos, perdas econômicas cada vez mais profundas. Este é o cenário que aguarda o planeta caso não se reduzam as emissões de dióxido de carbono (CO2), advertem cientistas da ONU em seu próximo relatório sobre o aquecimento global, o mais sombrio já produzido até hoje.
O rascunho do próximo informe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU faz parte de um amplo estudo que contribuirá para determinar políticas e orientar negociações nos próximos anos.
Os cientistas e representantes dos governos se reunirão na cidade japonesa de Yokohama a partir de hoje para redigir um resumo de 29 páginas, que será publicado juntamente com o relatório completo em 31 de março.
- Temos uma imagem mais clara do impacto e das consequências, inclusive para a segurança - disse Chris Field, da americana Carnegie Institution, que chefia a pesquisa.
"A redução das zonas geladas do planeta, as fontes de água compartilhadas ou a migração dos bancos de peixes", segundo o relatório "têm o potencial de aumentar a rivalidade entre os países".
O trabalho vem a público seis meses depois do primeiro volume do V Relatório de Avaliação, no qual os cientistas deixaram claro sua certeza irrefutável de que o aquecimento global tem a mão do homem.
No informe era previsto um aumento das temperaturas entre 0,3 e 4,8 graus centígrados neste século, 0,7 grau Celsius acima da média desde a Revolução Industrial. O nível dos oceanos aumentará entre 26 e 82 centímetros até 2100, segundo suas estimativas.
De acordo com o novo rascunho, os danos serão disparados a cada grau adicional, embora seja difícil quantificá-los. Um aumento nas temperaturas de 2,5" C com relação à era pré-industrial -meio grau Celsius a mais que a meta fixada pela ONU - reduzirá os ganhos mundiais anuais entre 0,2-2,0%, o que corresponde a centenas de bilhões de dólares.
- É certo que as avaliações que podemos fazer atualmente ainda subestimam o impacto real da mudança climática futura - disse Jacob Schewe, do Instituto Postdam para a pesquisa das Mudanças Climáticas (PIK) na Alemanha, que não participou da elaboração do rascunho do IPCC.
Ainda assim, algumas repercussões transfronteiriças das mudanças climáticas - A redução das zonas geladas do planeta, as fontes de água compartilhadas ou a migração dos bancos de peixes - "têm o potencial de aumentar a rivalidade entre os países", diz o informe.
Em 13 de abril, o IPCC divulgará, em Berlim, seu terceiro volume sobre estratégias para fazer frente às emissões de gases de efeito estufa.

Destaque
Inundações:
As emissões crescentes de gases de efeito estufa aumentarão "significativamente" o risco de inundações, às quais Europa e Ásia estarão particularmente expostas. "Centenas de milhões" de moradores de regiões costeiras serão levados a se deslocar.

Seca:
A cada 1o adicional na temperatura, outros 7% da população mundial terão reduzidas em um quinto as fontes de água renováveis.

Fome:
Os cultivos de trigo, arroz e milho perderão em média 2% por década, enquanto a demanda de cultivos aumentará 14% até 2050, devido ao aumento da população mundial.

Segurança:
As mudanças climáticas "determinarão de forma crescente as políticas de segurança nacional".

O Globo, 25/03/2014, Ciência, p. 26

http://oglobo.globo.com/ciencia/segunda-parte-do-ipcc-alerta-sobre-futu…

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