O Globo, O Mundo, p. 33
30 de Mai de 2009
Mudanças climáticas já matam 315 mil por ano
Número deve dobrar em 20 anos, atingindo 10% da população do planeta. Países pobres são os mais afetados
Clima desequilibrado, consequências desiguais. Um relatório divulgado pelo Fórum Humanitário Global (FHG) revela que o aquecimento global já é responsável por 315 mil mortes por ano em todo o mundo, resultantes da falta de água e alimentos. Em duas décadas, aponta o estudo, esse número deve dobrar, afetando 10 % da população do planeta (de 6,7 bilhões de pessoas).
Segundo a entidade, que é presidida pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, os habitantes dos países em desenvolvimento são os mais atingidos pelas mudanças climáticas, embora os 50 países mais pobres do mundo respondam por menos de 1% das emissões de gases do efeito estufa.
Meio bilhão de refugiados climáticos
Para Annan, as mudanças climáticas representam o maior desafio humanitário emergente do nosso tempo, causando sofrimento para centenas de milhões de pessoas no mundo todo.
- Os primeiros atingidos e os mais afetados são os grupos mais pobres do mundo, embora eles pouco tenham feito para causar o problema - disse o ex-secretário geral da ONU, em uma coletiva de imprensa, ontem, em Londres, durante a divulgação do relatório.
Intitulado "Anatomia de uma crise silenciosa", o estudo pede atenção especial aos chamados refugiados climáticos: 500 milhões de pessoas consideradas extremamente vulneráveis, por viverem em países pobres, propensos a secas, inundações, tempestades, elevação do nível dos mares e desertificação.
Das 20 nações mais vulneráveis ao aquecimento global, 15 ficam na África, segundo o estudo, que contou com a assessoria de representantes do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) e da ONG ambiental britânica Oxfam. O sul da Ásia e pequenos países insulares também já estão sendo severamente afetados pelas mudanças no clima do planeta.
- Espero que todas as nações que forem a Copenhague se alinhem em torno do mais ambicioso acordo climático internacional já negociado - declarou Annan, referindo-se à conferência da ONU sobre o clima, que vai acontecer em dezembro, na Dinamarca, quando deve ser acertado um tratado para substituir o Protocolo de Kyoto. - A alternativa é a fome em massa, a migração em massa e a doença em massa.
Os prejuízos decorrentes do aquecimento global, revela o estudo, já ultrapassam os US$ 125 bilhões por ano, mais do que o fluxo anual da ajuda dos países ricos para os pobres, e devem chegar a US$ 340 bilhões por ano até 2030.
Enquanto isso, as verbas internacionais destinadas ao combate às mudanças climáticas são de aproximadamente US$ 400 milhões por ano.
Desastres naturais devem ficar mais intensos
Desastres naturais, ligados às mudanças climáticas, ressalta o relatório, aumentaram em frequência e intensidade nos últimos 30 anos, com impactos na saúde e no abastecimento de água.
Na Índia e em Bangladesh, cinco milhões de pessoas continuam desabrigadas, sem água ou alimentos, desde a passagem do ciclone Aila, que atingiu a região no início da semana. Com ventos de até 100 km/h, o fenômeno matou, pelo menos, 275 pessoas e destruiu milhares de casas. Cientistas ainda não sabem se sua intensidade está ligada ao aquecimento global.
O Globo, 30/05/2009, O Mundo, p. 33
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