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Mudança climática ameaça um em cada seis patrimônios naturais da humanidade

O Globo, Sociedade, p. 24
11 de jul de 2015

Mudança climática ameaça um em cada seis patrimônios naturais da humanidade
Relatório aponta que 35 locais listados já possuem impactos evidentes dos efeitos das alterações no clima

RENATO GRANDELLE
renato.grandelle@oglobo.com.br

Relatório da Unesco destaca dificuldades para produção de alimentos e energia

Um relatório divulgado esta semana pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) alerta que um em cada seis patrimônios naturais da Humanidade tombados pela Unesco têm a existência ameaçada pelas mudanças climáticas. A lista inclui 228 ecossistemas, distribuídos em 96 países. Ao todo, 35 deles - um em cada seis - já estão comprometidos.
O leque de ameaças ligadas ao clima abrange fenômenos como o aumento das tempestades, a elevação do nível do mar, a chegada de espécies invasoras e o impacto do turismo. Entre os sítios ameaçados estão a Grande Barreira de Corais, na Austrália, e as Ilhas Galápagos, no Equador, além de parques nacionais americanos e africanos.
Diretora-geral da IUCN, Inger Andersen acredita que a gravidade das mudanças climáticas ainda é desconhecida pela opinião pública.
- Poucas pessoas estão cientes dos danos que ocorrem nas áreas mais espetaculares do nosso planeta - lamenta. - Temos de tomar medidas para lidar com esta ameaça ao mundo. É necessário que os governantes assumam um acordo ambicioso no fim do ano, na Conferência do Clima em Paris. Há muita coisa em jogo. As apostas são muito altas para perdermos o que pode ser nossa última janela de oportunidade.
Coordenador de projetos do órgão, Miguel Ávila Moraes destaca que as mudanças climáticas provocam efeitos como a transferência da fauna de um habitat para o outro.
- Outra preocupação é a seca, que faz o homem invadir áreas protegidas para instalar projetos de infraestrutura energética, como novas hidrelétricas - assinala.
Para André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, o documento do IUCN mostra como o homem sabota suas próprias necessidades para a sobrevivência.
- Sem manter o ecossistema protegido, ferimos o tripé básico para o direito básico das pessoas: a disponibilidade hídrica, a produção de alimentos e a geração de energia - avalia.
PERIGO DAS REPRESAS
Onze patrimônios da lista da IUCN são afetados pela construção de represas, devido à falta de estudos adequados sobre o impacto ambiental das obras. O órgão ressalta que é fundamental considerar o uso de alternativas às hidrelétricas para o fornecimento energético.
Segundo Paulo Moutinho, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia ( Ipam), o afunilamento do leito do rio pode matar a fauna que cresce ao redor do volume d'água.
- O pior é que o investimento não considera a possibilidade de grandes estiagens e o aumento da temperatura no futuro - critica. - Há, então, um risco de que as hidrelétricas construídas agora não tenham água suficiente para suas turbinas no futuro.
A IUCN também enumera os impactos causados pelo turismo, realizado sem regulação na maioria dos sítios, e pela competição por alimentos entre espécies nativas e invasoras em um mesmo ecossistema.
Nenhum sítio brasileiro sofre atualmente ameaças relevantes ligadas às mudanças climáticas. No entanto, cinco dos sete patrimônios naturais do país têm estado de conservação "significativamente preocupante": Floresta Atlântica, Chapada dos Veadeiros, Iguaçu, Pantanal e Costa do Descobrimento, na Bahia. Ao passo que dois - a Amazônia Central e as ilhas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas - são considerados "bons, com algumas preocupações".

O Globo, 11/07/2015, Sociedade, p. 24

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/mudanca-climatica-am…

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