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MPF quer impedir retirada de índios de obra do Maracanã

OESP, Metrópole, p. C4
15 de Jan de 2013

MPF quer impedir retirada de índios de obra do Maracanã
Órgão entrou ontem com recurso no TRF; governo do Estado tem plano de construir estacionamento para a Copa no local

Antonio Pita / RIO

O Ministério Público Federal (MPF) entrou ontem com novo recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) para impedir a demolição do antigo Museu do índio, prédio de 1862 localizado do lado do Estádio do Maracanã, na zona norte do Rio. No sábado, a construção ficou cercada por dez horas por 40 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar para o cumprimento de uma medida de reintegração de posse. Isso porque o governo do Estado quer demolir o prédio para erguer ali um estacionamento e um centro de compras para a Copa do Mundo de 2014.
O museu está ocupado por 23 famílias indígenas-elas ocupam o local desde 2006, mas a liminar que lhes dava esse direito foi cassada - e ativistas, em um total de cerca de cem pessoas. Ontem, dois carpinteiros da obra do estádio entraram no local para apoiar os índios e acabaram demitidos. José Antonio dos Santos, de 47 anos, e Francisco de Souza Batista, de 33, dizem que estiveram no prédio após o turno de trabalho. Em nota, o consórcio responsável pela obra informou que os dois foram desligados por deixarem suas funções no horário de trabalho.
Batalha jurídica. O recurso do MPF questiona a derrubada de liminares, em novembro, que impediam a demolição. Segundo o recurso, "não se pode, com uma decisão de efeito provisório, gerar a perda definitiva de um valor histórico, cultural e arquitetônico impossível de ser resgatado". O MPF argumenta ainda que a ação é contestada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) e pelo Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (Crea-RJ).
No sábado, a Defensoria Pública do Rio já havia obtido uma liminar impedindo a ação estatal. "A polícia cercou o prédio sem respaldo legal", disse o defensor público Eduardo Newton.
O projeto de demolição do prédio foi apresentado em outubro. Segundo o governo do Rio, já há uma licitação aprovada para tanto, orçada em R$ 586 mil. O contrato, porém, não está assinado. A previsão era de que a demolição ocorresse antes da Copa das Confederações, em junho.
O governo diz vir realizando o cadastro dos moradores do prédio no programa de aluguel social - opção rejeitada pelos indígenas. O grupo quer transformar o local em um centro de memória, a Aldeia Maracanã. "O que estão fazendo é um processo de invisibilidade da cultura indígena. Este é um espaço sagrado", disse Dauã Puri, de 59 anos.

OESP, 15/01/2013, Metrópole, p. C4

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