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MP quer saber de onde vem a carne dos supermercados

OESP, Vida, p. A15
14 de Mar de 2012

MP quer saber de onde vem a carne dos supermercados
As 20 maiores redes têm 10 dias para fornecer a informação e dizer o que estão fazendo para reduzir os danos ambientais dos fornecedores

IURI DANTAS / BRASÍLIA

Os maiores supermercados do País terão dez dias para explicar onde compram a carne vendida ao consumidor e o que vêm fazendo para reduzir os danos ambientais causados por seus fornecedores. No início da semana, o Ministério Público Federal encaminhou um ofício às 20 maiores redes do País questionando onde as empresas adquirem a carne e o que elas vêm fazendo para impedir, por exemplo, a compra de boi criado em área de desmatamento.
A ofensiva partiu de uma atuação conjunta das Procuradorias da República de três Estados - Mato Grosso, Pará e Acre - e representa um segundo estágio na relação com fazendeiros, frigoríficos e supermercados.
Nos últimos anos, eles assinaram compromissos públicos ou Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) prometendo tornar mais sustentável a cadeia produtiva da carne. Agora, o MP quer saber se as promessas saíram do papel.
"Basicamente queremos saber o estágio das medidas prometidas desde 2009", afirmou Daniel Cesar Azeredo Avelino, procurador da República no Pará. "Vamos esperar os supermercados se comunicarem e analisar caso a caso."
O documento da procuradoria pede que os supermercados encaminhem "uma lista atualizada" de fornecedores. O texto também ressalta que eventuais problemas envolvendo fornecedores "traria consigo corresponsabilidade pelo dano ambiental" aos supermercados que compraram a carne ilegal.
Consumo. Os procuradores federais esperam fechar uma ponta da história com o ultimato: para onde vai a carne da pecuária, que continua sendo uma das principais causas de desmatamento na Amazônia?
As grandes redes varejistas nacionais e os exportadores de carne negam a compra dos chamados bois piratas, mas os animais continuam pastando sobre a floresta derrubada.
"Em 2009, quando o Ministério Público forçou a baixa da maré, vimos que estavam todos nus. Desde então, muita gente apostou que tudo ia continuar do mesmo jeito. O problema são os pequenos e médios", afirmou Nilo D'Ávila, coordenador de políticas públicas do Greenpeace, a organização não governamental ambiental que atuou em parceria com o MP no assunto. "Os grandes frigoríficos estão se movendo, devagar, mas se movendo. Agora vamos ver se fizeram o que estavam prometendo."
Varejo. De acordo com Paulo Pompílio, diretor de Relações Institucionais do Grupo Pão de Açúcar, a sustentabilidade da carne vendida ao consumidor "é um assunto em pauta e os interlocutores estão engajados em vender carne legal". A marca Taeq, por exemplo, já monitora "da inseminação ao abate".
"É um trabalho conjunto, não é só do varejo", afirmou. "Estamos discutindo a fundo. Para o grande varejo essa carne não está indo."
A lista inclui o Grupo Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour, além da sergipana G. Barbosa, a gaúcha Zaffari e a mineira DMA Distribuidora. O MP enviou a solicitação dos fornecedores também para o Prezunic e o Zona Sul, do Rio de Janeiro, e os supermercados Sonda, Coop Cooperativa de Consumo e Savenagnago, de São Paulo.
O MP pede ainda explicações sobre o compromisso da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) de não comprar carne de fazendeiros que não respeitam a legislação. Procurada, a Abras não respondeu.

Para lembrar

Desde a década passada, agentes públicos e privados prometem medidas para acabar com o consumo de carne produzida em áreas de desmatamento ou fazendas que usam trabalho infantil ou escravo. A Associação Brasileira de Supermercados, por exemplo, lançou um programa de certificação por meio do qual os supermercados se comprometiam a não comprar carne ilegal. Em outro front, frigoríficos assinaram Termos de Ajustamento de Conduta com o MPF, se comprometendo a não adquirir bois de fazendas problemáticas. Em MT, foram Marfrig, Independência e JBS. No PA, mais de 70 frigoríficos médios aderiram, segundo a procuradoria da Republica.

OESP, 14/03/2012, Vida, p. A15

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