OESP, Metrópole, p. A16
16 de Jan de 2016
MP considera plano da Samarco 'insuficiente' para evitar tragédias
Estudo entregue à Justiça detalha risco de nova queda de barragem; trabalhadores fazem acordo com mineradora
Leonardo Augusto
ESPECIAL PARA O ESTADO
BELO HORIZONTE
O Ministério Público de Minas emitiu ontem parecer considerando insuficiente o plano de emergência apresentado pela Samarco à Justiça para a hipótese de rompimento das barragens que continuam de pé em Mariana. A informação é do promotor Mauro Ellovitch, que integra a força-tarefa que investiga a ruína da represa de Fundão, em 5 de novembro, que deixou 17 mortos e 2 desaparecidos.
O plano já havia sido entregue com um dia de atraso. Segundo o promotor, o material enviado à Justiça tem informações sobre o volume de rejeitos que seriam lançados no meio ambiente e a altura da onda de lama que se formaria, mas não apresenta quais medidas seriam tomadas em relação à segurança da população a ser atingida por um novo rompimento de estruturas. O estudo aponta apenas cenários que envolvem rompimentos isolados dos diques e das barragens de Santarém e Germano, ou colapsos em conjunto.
No cenário mais grave, que seria o rompimento de todas as estruturas, a área atingida, conforme Ellovicth, poderia repetir o que aconteceu na queda de Fundão, com a lama atingindo o Rio Doce e chegando à foz, no Espírito Santo, em cerca de 15 dias. Medidas ainda a serem tomadas e as que já foram colocadas em prática, como o esvaziamento da Hidrelétrica de Candonga, no leito do Rio Doce, a 109 quilômetros de Mariana, poderiam reduzir o impacto. A Samarco ainda não se posicionou sobre o parecer do MPE.
Já em Brasília, os governos federal e estaduais discutiram ontem que o monitoramento de barragens de rejeitos de minério de ferro deverá deixar de ser feito só pelas empresas do setor e ser transferido para órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. A informação é do subsecretário de Licenciamento Ambiental de Minas Gerais, Geraldo Abreu. Em São Paulo, por exemplo, a fiscalização estatal deve ser ampliada em fevereiro.
Trabalhadores. Os funcionários da Samarco em Mariana decidiram em assembleia realizada ontem aceitar a suspensão do contrato de trabalho por três meses de metade dos empregados da unidade da empresa na cidade. Pelo acordo, cerca de 1,1 mil funcionários deixarão os postos na mineradora, mas continuarão a receber o salário líquido. Parte do vencimento, no entanto, será paga com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), conforme informou o diretor executivo do sindicato da categoria em Mariana, Sérgio Alvarenga. Segundo o sindicato dos metalúrgicos de Mariana, vencido o prazo de três meses, em 25 de abril, o acordo ainda poderá ser renovado.
OESP, 16/01/2016, Metrópole, p. A16
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