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Autor: Redação g1 RR — Boa Vista
06 de Abr de 2026
Movimentos indígenas de Roraima protestam em apoio ao Acampamento Terra Livre, denunciam invasões e cobram justiça por líder morto - Foto: Conselho Indígena de Roraima
Os movimentos indígenas se mobilizaram, nesta segunda-feira (6), para denunciar invasões na Terra Indígena Raposa Serra do Sol e cobrar justiça pela morte do jovem líder indígena Gabriel Ferreira. Os atos ocorrem nos municípios de Amajari e Uiramutã, em apoio ao Acampamento Terra Livre (ATL), considerado a maior mobilização de povos indígenas do país, realizada em Brasília.
Com o tema "Quem matou Gabriel? Mexeu com um, mexeu com todos", a mobilização no Amajari reúne cerca de 800 pessoas e é marcada pela contestação do laudo técnico apresentado pela Polícia Civil sobre a morte de Gabriel.
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O documento aponta que, após um acidente, o jovem teria sido atacado por formigas, o que o levou a retirar as roupas e entrar na mata, onde foi encontrado morto no dia 10 de fevereiro.
Gabriel Ferreira passou dez dias desaparecido. Segundo as lideranças, é necessário o aprofundamento das investigações.
"Hoje Gabriel Ferreira completaria 29 anos de idade, mas, infelizmente, não está aqui para celebrar esse momento. Tiraram a vida do nosso irmão de luta aqui em Roraima, e nós não aceitamos isso. Queremos justiça", afirmou uma das lideranças presentes no ATL.
Liderança indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, desapareceu no dia 1o de fevereiro - Foto: CIR/Divulgação
Garimpo ilegal
Em Uiramutã, mais de 500 indígenas denunciam invasões frequentes de garimpeiros e comerciantes ilegais na Terra Indígena Raposa Serra do Sol e pedem maior fiscalização.
🌄 A Raposa Serra do Sol fica localizada entre os municípios de Normandia, Pacaraima e Uiramutã, e abrange a faixa de fronteira do Brasil com a Guiana. É a segunda maior terra indígena do Brasil em população, de acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é um instituto (IBGE). Mais de 26 mil indígenas dos povos Macuxi, Taurepang, Patamona, Ingaricó e Wapichana vivem na região, demarcada pelo Supremo Tribunal Federal.
"É preciso defender nossa casa. Estão entrando sem permissão. Nossas cachoeiras, rios e igarapés já estão poluídos. Queremos mais ação das autoridades", afirmou o coordenador do Centro Willimon, Hélio Afonso.
O tuxaua da comunidade Uiramutã, Orlando Pereira da Silva, também reforçou a importância da proteção do território. "Ninguém pode invadir uma casa e fazer o que quiser. Então, não vamos aceitar que façam isso conosco", disse.
Uma comissão formada por cerca de 30 lideranças de Roraima também participa do ATL em Brasília, e acompanham debates, marchas, além de atividades no Congresso Nacional.
Acampamento Terra Livre
Considerado a maior mobilização indígena do Brasil, o Acampamento Terra Livre tem como objetivo fortalecer a luta pelos direitos dos povos originários, além de dar visibilidade a pautas como demarcação de terras, preservação ambiental e melhorias nas áreas de saúde e educação.
Em Roraima, a programação segue até o dia 12 de abril, com debates, palestras, exposições de artesanato e apresentações culturais. A mobilização também marca o início do chamado Abril Indígena, período de articulação nacional em defesa dos direitos dos povos indígenas.
Saiba mais sobre o caso de Gabriel:
Polícia Civil faz reconstituição da morte do líder indígena encontrado morto em Roraima
Manifestações de RR em apoio ao Acampamento Terra Livre - Foto: Jardeson Pinho
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