Radiobrás-Brasília-DF
13 de Out de 2004
"A morte de Apoena Meireles deve levar o governo a meditar sobre as dívidas históricas que temos com os índios". A conclusão é do sertanista Sydney Possuelo. Para ele, o assassinato de Apoena Meireles traz à tona questões indígenas pouco discutidas. A principal delas é a contratação e formação de novos sertanistas. De acordo com Possuelo, desde 1968, a Funai não contrata pessoas para este cargo.
Segundo ele, a função de um sertanista é a de realizar o primeiro contato com índios isolados. "O contato inicial é a primeira fase. Depois, o profissional conhece a tribo, delimita a terra e cria postos de aproximação com o índio", sintetiza Possuelo.
Sydney Possuelo conta que atualmente apenas três sertanistas trabalham na Funai. O número é nove vezes menor do que o mínimo necessário. "Para suprir toda a área brasileira, seriam necessários no mínimo 18 profissionais", explica.
Possuelo acredita que a equipe de Apoena esteja controlando a situação de conflito entre os índios cintas-largas e os garimpeiros na reserva Roosevelt, em Rondônia. Segundo ele, Apoena tinha uma equipe bem estruturada. "Ninguém é insubstituível. É uma tristeza para os povos indígenas, mas, bem ou mal, as coisas se ajustam", analisa.
Em abril deste ano, 29 garimpeiros foram mortos pelos índios cintas-largas na área da reserva. Além desta equipe, 25 homens da Polícia Federal, dez da Polícia Rodoviária Federal e outros dez da Polícia Militar de Porto Velho fazem a segurança do local. De acordo com a assessoria do ministério da Justiça, o clima da região é tranqüilo.
A Funai ainda não definiu quem substituirá Apoena Meireles. De acordo com a assessoria da Funai, o substituto já foi escolhido pelo presidente Mércio Pereira Gomes, mas o nome não pode ser divulgado porque o convite ainda não foi oficialmente aceito. Segundo a assessoria, o provável substituto já trabalha na Reserva Roosevelt.
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