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Autor: Karina Campos
10 de Fev de 2026
Morreu nesta terça-feira (10) a professora, ativista e pesquisadora ándida Graciela Chamorro Argüello, aos 68 anos. Conhecida pela atuação e defesa dos povos indígenas Guarani Kaiowá, Chamorro publicou, em 2024, a 3ª edição do Dicionário Kaiowá-Português. Ela lutava contra um câncer.
Nascida na Paraguai, a especialista deixa um legado cultural em Mato Grosso do Sul. Pelas redes sociais, amigos e familiares lamentaram a perda. "Graciela escolheu escutar. Escutar línguas feridas, memórias interrompidas, palavras que a história tentou apagar. Fez da pesquisa um gesto ético, da escrita um ato de cuidado e da convivência com os povos guarani e kaiowá um compromisso sem recuo", escreveu a musicista e antropóloga Magda Pucci.
"Graciela segue presente nas palavras que resistem, nas escolas, nas retomadas, na língua kaiowá falada, cantada, ensinada, sonhada. Tive o privilégio de participar de projetos por ela organizados junto aos kaiowá e seus alunos e posso dizer que foram momentos muito especiais na minha vida. Quanto aprendizado!", conclui.
"A UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) está em luto. Graciela Chamorro foi uma voz incansável na luta, na cultura e na defesa dos direitos dos povos indígenas Guarani Kaiowá. Seu legado, força e perseverança permanecem conosco. Nossos sentimentos à família, amigos e amigas dessa grande mulher", disse a docente Verônica Pereira.
Por enquanto, não há informações sobre o velório.
Condolências
A Fundação de Cultura de MS também publicou uma nota de pesar e prestou solidariedade aos familiares, amigos, estudantes e povos indígenas.
"Cándida construiu uma sólida trajetória acadêmica no Brasil e no exterior, com formação em Música e Teologia, mestrado em História, doutorado em Teologia e estudos avançados em Antropologia e Romanística na Alemanha e na França. Foi professora aposentada de História Indígena da UFGD e, desde 2015, presidia a Associação Cultural Casulo, em Dourados".
"Seu trabalho, baseado em décadas de convivência e pesquisa junto às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, deixou um legado fundamental para a valorização das culturas, línguas e saberes Guarani e Kaiowá, expresso em obras como Kurusu Ñe'engatu, Terra madura e Decir el cuerpo, entre outras. Recentemente lançou a terceira edição Dicionário Kaiowá-Português, com projeto aprovado pelo Fundo de Investimentos Culturais de MS", diz a nota.
Dicionário traduz 6.328 palavras
O trabalho, reconhecido pela comunidade indígena e acadêmica, foi publicado em 2024. A pesquisa reuniu 6.328 palavras, além de notas culturais e linguísticas que constituem um repositório da visão de mundo do povo Kaiowá, de sua cultura, imaginação e pensamento.
"Este dicionário não é apenas uma obra lexicográfica. Ele representa o esforço coletivo para documentar e preservar a língua e os saberes de uma das etnias mais ricas em história e cultura do nosso país. Por isso, considero um passo importante para as próximas gerações conhecerem e valorizarem suas raízes", disse Graciela ao Jornal Midiamax, na época.
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(Revisão: Nichole Munaro)
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