OESP, Vida, p.A21
05 de Nov de 2004
Moratória da pesca de arrasto não passa nas Nações Unidas
Não obteve consenso a proposta de ambientalistas para proibir a atividade em águas internacionais
Herton Escobar
A proposta de uma moratória à pesca de arrasto em águas internacionais não foi aceita na Organização das Nações Unidas (ONU). Ao fim de uma série de reuniões que teve início na semana passada, países e organizações ambientalistas favoráveis ao embargo não conseguiram vencer a resistência das nações pesqueiras. Ficou acertado ontem, dentro da Resolução sobre Pesca Sustentável, que os países que praticam a pesca de arrasto em alto-mar deverão adotar medidas para regulamentar a atividade e evitar que ela cause maiores danos ao meio ambiente marinho.
A decisão deverá ser revista dentro de dois anos, com base numa avaliação das medidas adotadas. "Não foi possível aprovar a moratória, mas conseguimos um chamado para analisar e, se for o caso, proibir a pesca de arrasto de fundo em alto-mar", disse o conselheiro para Assuntos Oceânicos da missão brasileira na ONU, Marcos de Almeida, que participou das reuniões em Nova York. "Acho que é um bom começo, considerando que antes não tínhamos nada."
A pesca de arrasto é realizada com enormes redes em forma de funil que são arrastadas sobre o leito do mar para capturar espécies de fundo. A atividade é considerada altamente destrutiva, porque varre completamente o substrato oceânico. A proposta das organizações ambientais, levada à ONU pela Costa Rica e revelada ontem em reportagem do Estado, era impor uma moratória sobre essa pesca em águas internacionais (alto-mar), onde o conhecimento científico sobre a biodiversidade marinha é extremamente escasso.
Os principais oponentes da moratória, segundo Almeida, foram a Islândia e União Européia. O Brasil foi favorável, apesar de não possuir frota nesse tipo de pescaria. "Para nós não haveria conseqüência. Mas para alguns países, o impacto econômico seria grande", disse o diplomata.
OESP, 05/11/2004, p. A21
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