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Missionário e padres depõem ao inquérito instaurado na PF

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
15 de Jan de 2004

A Polícia Federal iniciou na manhã de ontem, o inquérito instaurado para apurar o seqüestro de dois padres e um missionário, que foram feitos reféns por indígenas durante as manifestações da semana passada. Ontem, os três prestaram depoimento na sede da instituição.

A delegada presidente do inquérito, Juliana Cavaleiro disse que entre as declarações não houve nenhuma informação que não fosse do conhecimento da Polícia. Os missionários negaram que sofreram agressão física. Confirmaram as ameaças e pressão psicológica do grupo que fazia a segurança deles.

O primeiro a ser ouvido foi o padre, César Vellaneda que prestou o mais longo dos três depoimentos, cerca de três horas. Os outros dois religiosos foram ouvidos no período da tarde e ficaram na PF por uma hora e meia cada um deles.
A delegada esclareceu que cada depoente descreveu como aconteceu o período que passou encarcerado na Maloca do Contão, localizada no Município de Pacaraima. Além de informações adicionais como a sua função na missão e tempo que pretendiam ficar na comunidade.

Paralelo ao depoimento, a Polícia Federal enviou na tarde de ontem, uma equipe de policiais ao local que serviu de cativeiro para os missionários. O objetivo é colher provas que possam ser anexadas ao processo.

Até o material produzido pela imprensa auxiliará nas investigações. Vários meios de comunicação já foram notificados a encaminharem o que divulgaram. Até o fechamento da matéria os policiais não haviam retornado a Boa Vista.

A Polícia Federal também pretende retornar ao local para ouvir depoimentos de testemunhas da própria comunidade. A delegada afirmou que ainda não há data prevista para iniciar esse trabalho.

"Hoje, damos o primeiro passo nas investigações ouvindo os envolvidos. Após isso enviamos os oficiais ao local que foram orientados a recolherem material para servir de prova", disse a delegada.

Questionada se os religiosos citaram nomes em suas declarações a delegada disse que essa informação não poderia ser repassada à imprensa devendo ser guardada em sigilo para não comprometer as investigações.
CRIMES - A delegada, Juliana Cavaleiro, destacou que o inquérito instaurado pela Polícia Federal vai apurar a prática de vários crimes. Entre eles, seqüestro, ameaça de morte e roubo, já que os religiosos acusam os índios de invadirem e sumirem com objetos pertencente à missão. "Vamos investigar para responsabilizar os culpados por cometer esses crimes", ressalta.

SEQÜESTRO - Os padres Ronildo França e César Vellaneda, juntamente com o missionário, Juan Carlos Martinez, foram feitos reféns por indígenas na terça-feira, 6. O fato ocorreu às 2h30, da madrugada, na Missão Consolata, localizada na Vila Surumu, Município de Pacaraima.

Conforme informações da Polícia Federal, o local conhecido como "Missão do Surumu" foi invadido por cerca de 100 índios ligados a Sodiur. Após prenderem os religiosos os nativos interditaram a ponte sobre o rio Surumu, na estrada que liga a Maloca do Contão aos municípios de Pacaraima e Uiramutã. Os três detidos foram levados para a casa do tuxaua Genival, no Contão, a 30 quilômetros de Surumu.
Eles só foram libertados, na sexta-feira, 9, após quatro dias de isolamento e várias negociações dos agentes da Polícia Federal com os índios que os mantinham reféns. O objetivo segundo os indígenas era pressionar o Governo Federal para abrir a negociação sobre a homologação da reserva Raposa/Serra do Sol em ilhas.

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