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Ministro propoe tirar terra de quem escravisa

OESP, Geral, p.A12
18 de Mar de 2004

Ministro propõe tirar terra de quem escraviza Ricardo Berzoini defende emenda com 'punição mais firme' para trabalho escravo
VÂNIA CRISTINO
BRASÍLIA - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, defendeu ontem na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permitirá ao governo expropriar as terras onde forem encontrados trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravo. "A criminalização já é prevista hoje, mas a perda do patrimônio é uma punição mais firme", disse.
Na expropriação, ao contrário da desapropriação, não há indenização ao proprietário. Uma vez caracterizado o crime, ele perderá o direito de propriedade sobre a terra. Para defender a medida, Berzoini fez uma longa exposição para os integrantes da comissão especial que estudam a PEC. O ministro falou da caracterização do trabalho escravo, da legislação e das ações desenvolvidas para a sua erradicação.
Pelos dados apresentados pelo Ministério do Trabalho, desde a criação do grupo móvel de fiscalização, há nove anos, 10.789 trabalhadores foram libertados, 4.995 no ano passado. De acordo com o ministro, embora a caracterização do trabalho escravo seja muito precisa na lei, na prática ela não é assim tão fácil de assimilação pelo trabalhador comum.
"O trabalho escravo é todo aquele que impede a liberdade do trabalhador e, quase sempre, é acompanhado de violência e toda forma de ameaça à vida", explicou. O ministro classificou o trabalho escravo de intolerável para a sociedade. "A sociedade brasileira repudia e quer a sua erradicação."
Ele aproveitou para dar um conselho aos trabalhadores: "O trabalhador deve desconfiar sempre que um aliciador (mais conhecido como gato) aparecer e oferecer um trabalho distante do seu local de moradia. O risco de ser submetido ao trabalho escravo é muito grande."
Segundo Berzoini, o ministério já vem atuando preventivamente nas praças onde o aliciamento é maior, como o Maranhão e o Piauí. Também os trabalhadores retirados dessa situação estão recebendo atenção especial para não voltar a ser submetidos ao trabalho escravo.

OESP, 18/03/2004, p. A12

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