Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CARVÍLIO PIRES
20 de Fev de 2003
Ministro José Viegas ao ser recepcionado pelo governador Flamarion Portela, no aeroporto
A comitiva do ministro da Defesa, embaixador José Viegas Filho, chegou a Roraima na manhã de ontem. Depois de conhecer instalações militares na capital, visitar o 6o Pelotão do Exército em Uiramutã e manter audiência com o governador Flamarion Portela (PSL), durante entrevista à imprensa o ministro declarou não cogitar limites ou diminuição da presença das Forças Armadas na faixa de fronteira.
Após desembarcar no aeroporto de Boa Vista, o ministro disse ter vindo a Roraima conhecer as questões atinentes a sua pasta. Como posição inicial declarou não ver incompatibilidade entre a atuação das Forças Armadas na faixa de fronteira com os conceitos de preservação ambiental e de defesa das terras indígenas. Do aeroporto, foi para a 1ª Brigada de Infantaria e, ao lado dos comandantes do Exército, general Albuquerque, e do comandante da unidade, general Studart, assistiu ao desfile da tropa formada por 800 militares.
À noite, durante entrevista à imprensa e evitando polêmica sobre as declarações do presidente da Funai, Eduardo Aguiar, que pregou restrição à presença militar em áreas indígenas, José Viegas alegou estar viajando desde segunda-feira e não poderia comentar sobre texto que não leu.
"Certamente, as Forças Armadas têm papel importante a cumprir na fronteira do Brasil, na defesa do nosso território, da nossa soberania. Também é preciso dizer que as Forças Armadas têm plena capacidade para participar do esforço de preservação ambiental e dar a devida proteção às terras indígenas. Assim, não encontro nenhum motivo para limitar a presença das Forças Armadas na faixa de fronteira, muito ao contrário".
José Viegas disse ter ficado impressionado com o vazio demográfico na área que sobrevoou de Boa Vista ao Uiramutã, o que acredita ser uma característica geral da região amazônica e não específica de Roraima. Para ele, a vivificação da faixa de fronteiras do país é um objetivo louvável e deve ser feita de acordo com as normas jurídicas.
"Somos a favor do progresso e ele deve ser feito de forma harmônica, com benefícios para a população como um todo, sem discriminações entre brasileiros que somos. Dentro do respeito às leis, deve prevalecer, sempre, a idéia do progresso e da harmonia entre brasileiros que somos todos", declarou.
Diante do constatado vazio populacional, o ministro foi questionado sobre a possibilidade de instalação de outros pelotões na fronteira norte, por exemplo, entre o município de Bonfim e o Estado do Amapá, onde existem quase mil quilômetros sem a presença do Estado. "Hoje em dia temos uma situação de carência de recursos, mas, caso seja necessário, criaremos novos pelotões de fronteira e certamente encontraremos recursos para fazê-lo. Não cogitamos extinguir nenhum pelotão de fronteira", frisou.
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