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Ministro faz 'inspeção' criteriosa na Raposa Serra do Sol

CIR-Boa Vista-RR
14 de Jun de 2003

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, esteve em Roraima durante três dias e fez reuniões com o poder público, comunidades indígenas e sociedade civil organizada. A comitiva ministerial de 18 integrantes será responsável pela elaboração de um 'parecer' ao presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva.

Formaram a comitiva, além de assessores do ministério, o presidente da Funai, Eduardo Almeida, a Subprocuradora da República, Ella Castilho, os antropólogos Marcos Paulo, do Ministério Público Federal e Paulo Santilli, responsável pelo laudo final de identificação da Raposa Serra do Sol. "Nós viemos aqui para ver e ouvir. O governo Lula sabe da existência da questão Raposa Serra do Sol, por isso, venho aqui com uma comitiva de técnicos", explicou.

A comitiva sobrevoou lavouras de arroz irrigado, corrutelas Surumu, Água Fria e Socó e reuniu-se em momentos distintos com habitantes do vilarejo Uiramutã e lideranças indígenas da aldeia homônima. Cerca de 350 pessoas da comunidade Uiramutã e aldeias vizinhas recepcionaram o ministro na parte da aldeia que fica em frente ao 6o Pelotão Especial de Fronteiras.

Na aldeia Maturuca, estavam presentes 121 tuxauas (caciques) da Raposa Serra do Sol e representantes de todas as aldeias do estado de Roraima. Integrantes de comitiva se emocionaram com o relato das vítimas de violência praticada por invasores da terra indígena. Sérgio Sérvulo, chefe de gabinete do ministro, chorou com a apresentação da filha de Aldo da Silva Mota, executado com os braços levantados na fazenda do vereador 'Chico Tripa', em janeiro de 2003.

O ministro considerou os crimes praticados contra os indígenas uma "tragédia encarnada de violência impune" e acrescentou que a "impunidade que graça no Brasil" não será resolvida facilmente. "Eu sou o ministro da Justiça, mas não sou o dono da Justiça", explicou.

Bastos solicitou uma lista resumida dos casos de impunidade e prometeu usar toda a pressão ministério da Justiça para acelerar os processos. "A Justiça brasileira, efetivamente, é uma Justiça provida por um forte sentimento de classe", lamentou.

O ministro agradeceu a recepção e a comida. "Eu realmente saio daqui emocionado. E saio mais disposto a ajudar o povo indígena a resolver o problema da Raposa Serra do Sol", despediu-se.

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