Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
30 de Jan de 2004
Embora não tenha sido explícito, o ministro da Defesa, José Viegas, deixou claro que tem uma posição em relação à demarcação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, garantindo que está para as ameaças à soberania nacional.
A declaração foi feita ontem durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, que contou com a presença de toda a bancada de Roraima na Câmara dos Deputados.
As palavras do ministro surgiram como um alento para os parlamentares diante da possibilidade cada vez mais iminente de demarcação em área contínua da reserva, que tem 1,7 milhão de hectares.
Textualmente, o ministro disse que, apesar de ter uma opinião formada sobre a questão, não poderia falar isoladamente dentro do governo, reconhecendo que este assunto está na esfera do Ministério da Justiça.
Mesmo não querendo ser a nota dissonante, José Viegas disse que está atento ao assunto e no que diz respeito à soberania nacional, seu ministério participará de todas as discussões e decisões.
Embora não fosse o tema central, a questão das terras indígenas de Roraima acabou se tornando o principal motivo de discussões na audiência pública de ontem na Comissão de Relações Exteriores. Mesmo parlamentares de outros Estados demonstraram preocupação com a situação e interesse em saber o posicionamento do ministro.
Na opinião do deputado federal Luciano Castro (PL), José Viegas deixou muito clara sua posição e demonstrou que está agindo dentro do governo para que as decisões não venham a colocar em risco a segurança das fronteiras.
"Reconhecemos que esta é uma posição forte que pode redundar numa saída favorável para Roraima, diferente do que defende a Funai, o ministro da Justiça, as ONGs e a Igreja Católica", afirmou.
De acordo com o deputado Almir Sá, também do PL, a bancada de Roraima se posicionou de forma incisiva, conseguindo inclusive o apoio de parlamentares de vários Estados. "O ministro José Viegas deixou claro que está tratando do assunto com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos".
Sá chamou a atenção também para a declaração do ministro de que acompanha a posição do governo na questão da demarcação de terras indígenas, mas que tem defendido alguns posicionamentos próprios. "Ele não quis revelar que posicionamentos são esses para evitar o vazamento de informações distorcidas". (F.G)
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