Valor Econômico, Empresas, p. B3.
13 de Mar de 2018
Mineroduto da Anglo vaza e minério atinge rio
Por Marcos de Moura e Souza
Tubulação do mineroduto Minas-Rio vazou cerca de 300 toneladas de mistura de minério de ferro e água no município de Santo Antônio do Grama, em Minas Gerais.
Uma tubulação do mineroduto Minas-Rio, da mineradora Anglo American, se rompeu ontem no município de Santo Antônio do Grama (MG), espalhando 300 toneladas de uma mistura de minério de ferro e água pelo ribeirão que abastece a cidade. A empresa disse que o material não é tóxico.
Mesmo assim, o fornecimento de água à população foi cortado e à noite ainda não havia sido restabelecido, segundo a Defesa Civil. A empresa enviou 14 caminhões pipa para a cidade.
Santo Antônio do Grama, de 4.070 habitantes, é abastecida pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que capta água do Ribeirão Santo Antônio.
O rompimento não deixou vítimas. Mas afetou a rotina de agricultores e de quem cria gado na região. Eles tiveram de ficar sem o abastecimento normal de água, segundo Gilvan de Assis, coordenador da Defesa Civil do município.
Houve apreensão entre moradores que logo de manhã viram o ribeirão tingido a de uma cor avermelhada por causa do vazamento.
A Anglo American disse que o material que vazou do mineroduto é a chamada polpa de minério. "A polpa consiste em 70% de minério de ferro e 30% de água, sendo classificada pela NBR 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como resíduo não perigoso", afirmou a empresa por meio de nota no início da tarde.
À noite, a Secretaria de Meio Ambiente informou que a Anglo American estava monitorando a qualidade da água em dez pontos do Ribeirão Santo Antônio até o Rio Casca - que fica abaixo do ponto de captação da Copasa.
"Também está sendo realizado o acompanhamento dos sedimentos em 30 pontos no ribeirão Santo Antônio. Foram colocadas barreiras no ribeirão Santo Antônio a fim de conter o material que está depositado no curso d'água", disse a secretaria.
O rompimento ocorreu às 7I142, segundo a empresa. E a partir das 8I130 a mineradora passou a bombear só água no mineroduto. A Anglo não informou o que causou o rompimento.
"A Anglo American irá drenar cerca de 1.600 toneladas que ainda estão na tubulação. Para não atingir nenhum curso d'água local na retirada desse material, a empresa irá construir uma bacia para contenção do material. A previsão é de que a construção dessa estrutura seja feita em no máximo 10 horas", informou a Anglo American.
O Minas-Rio começou a operar em 2014. Transporta minério de ferro que a Anglo American produz em Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro (MG) até o porto de São João da Barra (RJ). A mineradora está em fase de licenciamento para expandir sua capacidade de produção, que chegará a 26,5 milhões de toneladas de minério por ano.
O Ministério Público de Minas de Gerais enviou uma equipe que atua em casos de crimes ambientais para Santo Antonio do Grama. O objetivo é apurar as causas e extensão dos danos, informou o MP, por meio de nota.
O MP falou em tomar medidas que garantam reparação e responsabilização dos responsáveis.
O rompimento no Minas-Rio é o terceiro em menos de três anos envolvendo grandes empreendimentos mineradores. Em novembro de 2015, uma barragem de rejeito de minério de ferro da Samarco - mineradora da Vale e da BHP Billiton - se rompeu em Mariana (MG), matando 19 pessoas. Em fevereiro o Ibama multou a Hydro Alunorte, refinaria de alumina da Norsk Hydro, depois um laudo oficial ter detectado contaminantes na água e no solo perto do empreendimento em Barcarena (PA). A Norsk admitiu que, sem as licenças devidas, a refinaria liberou água de chuva que pode ter tido traços de bauxita e soda cáustica. A água chegou ao rio Pará.
Valor Econômico, 13/03/2018, Empresas, p. B3.
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