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Mineração tem que ser racional

Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: EDUARDO GOMES
19 de Mar de 2003

Diretores e geólogos da Metamat não se preocupam apenas com a mineração em si. Para a empresa, a atividade empresarial tem que estar diretamente associada à questão da preservação ambiental. Seus técnicos desenvolvem planos de extrativismo específicos para cada tipo de atividade.

Minas em pequenos depósitos subterrâneos é um modelo que pode dar certo. Quem faz essa observação é o geólogo Antonio João Paes de Barros, que acompanha a atividade garimpeira de ouro em Poconé, há mais de uma década.

"Grandes áreas degradadas pelos garimpos em Poxoréo, Poconé, Matupá e outros municípios não deixam dúvidas quanto a necessidade de se aprimorar a atividade, de modo tal que a mesma interfira o mínimo possível no meio ambiente", pondera o geólogo Wanderlei Magalhães.

Antonio João e Wanderlei mostraram fragmentos de quinberlito à reportagem. A descoberta de material semelhante a esse, em outras proporções, levou a Diagem à exploração industrial do diamante em Juína.

Quinberlito é uma rocha primária onde se encontra o diamante, e que se forma na superfície da terra em decorrência da erupção de um minúsculo vulcão. Esse vulcão às vezes se inicia a centenas de quilômetros da crosta terrestre. Seu caminho é feito em sentido espiral, abre um pequeno túnel e empurra para cima tudo que se interpõe em sua rota. Se a pequena massa vulcânica avança sobre área com diamante o mesmo é empurrado para fora.

O nome quinberlito é uma variação da cidade de Kinberley, na África do Sul, onde é comum a existência desses corpos. Mas, localizar um quinberlito não significa obrigatoriamente a descoberta de jazida de diamante. No entanto, para que o diamante chegue à superfície é necessário que seja empurrado para cima pela massa vulcânica.

O garimpo predatório, que no passado causou tantos danos ambientais, muitos deles de difícil reversão, não tem mais espaço da economia mineral. Enormes crateras abertas em busca de ouro e diamante não apresentaram lucratividade, por falta de conhecimento técnico de quem as abriu. Pequenas minas sem risco de desmoronamento e menos inundáveis podem produzir de modo satisfatório conciliando economia e ecologia.

A partir do momento em que a União transferir aos estados o controle da atividade mineral, Mato Grosso poderá reaquecer esse segmento econômico sem comprometer o meio ambiente.

Mato Grosso tem um esboço técnico para cada atividade mineradora, observada as caraterísticas locais. Falta ao estado apenas a autonomia legal para implementar sua política de mineração. "Quando isso ocorrer, a economia ganhará impulso e a sociedade como um todo será beneficiada", observa João Justino Paes Barros.

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