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Minc tira 'ongueiros' de cargos

CB, Política, p. 7
21 de Mai de 2008

Minc tira 'ongueiros' de cargos
Atendendo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, novo ministro do Meio Ambiente tirou ontem de sua pasta colaboradores de Marina Silva alinhados com ONGs e já indicou os substitutos deles

Tiago Pariz
Da equipe do Correio

Para evitar conflitos no governo, o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, terá de lidar com um problema deixado pela ex-ministra Marina Silva: reduzir a influência das organizações não-governamentais (ONGs) nas decisões da pasta. A determinação dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi uma contrapartida ao pedido de Minc de o Ministério ter papel mais relevante nas discussões sobre as políticas industrial e energética.

Os primeiros movimentos demonstraram harmonia com as intenções do presidente e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Minc desalojou colaboradores de Marina Silva mais alinhados com ONGs: João Paulo Capobianco, da Secretaria-Executiva, e Bazileu Margarido, da presidência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Para substituir Capobianco, a escolhida foi Izabella Mônica Vieira Teixeira, subsecretaria de Planejamento e Política Ambiental do governo do Rio de Janeiro. Para o Ibama, Minc anunciou ontem Roberto Messias, que era diretor de licenciamento ambiental do órgão. Messias trabalha na área ambiental há 32 anos, tendo ocupado a direção de organizações não-governamentais, como a WWF Brasil, a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), além dos cargos de secretário especial de Meio Ambiente e secretário-executivo do Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 1986 a 1988. Em Minas, ocupou a superintendência do Ibama no estado de 2003 a 2007, quando teve de conviver com o sucateamento do órgão.

Conflitos
Marina Silva vinha acumulando conflitos nos bastidores do governo. O que irritava Lula e Dilma Rousseff eram as seguidas demonstrações da ex-ministra de estar alinhada simplesmente aos interesses dos grupos ambientalistas e não ter visão convergente com as políticas do Palácio do Planalto.

O maior problema, segundo auxiliares do presidente, era a contaminação de cargos do alto escalão por pessoas ligadas a ONGs. Dilma reclamou diversas vezes com assessores de que a ex-ministra e seus auxiliares se escoravam sobre a burocracia da máquina estatal para adiar de forma deliberada projetos, como as usinas hidrelétricas do Rio Madeira. Para a ministra, o licenciamento ambiental não esbarrava apenas no conservadorismo de Marina Silva.

Lula disse a Minc que não quer acelerar as licenças ambientais abrindo mão do rigor. Segundo auxiliares do presidente, a matemática é simples: basta acabar com esses grupos de resistência para elevar a eficiência do Ministério do Meio Ambiente.

Perfil Roberto Messias Franco
Um carioca de Minas

Cristiana Andrade
Do Estado de Minas

O novo presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, de 61 anos, nasceu no Rio de Janeiro, mas é mineiro por opção desde a época estudantil, quando cursou geografia na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. É casado, tem três filhos e um neto. Em Minas, ocupou a superintendência do Ibama no estado de 2003 a 2007, quando teve de lidar com o sucateamento do órgão. Ainda assim, Messias está confiante de que a situação atual do Ibama é positiva. "O instituto está numa situação sensivelmente melhor, com equipe técnica experiente e muito boa. O desafio é grande, e espero poder enfrentá-lo de forma eficiente, otimizar recursos do nosso orçamento da melhor maneira, com o pé no chão, e fazer uma fiscalização e um licenciamento modernos", disse, em entrevista ao Estado de Minas.

Uma das metas a serem alcançadas pelo geógrafo é dar seqüência à política implantada pela ex-ministra Marina Silva. Entre os objetivos está o de implantar o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), um modelo tripartite onde atuam União, estados e municípios, cada um com suas funções e peculiaridades. "Vamos contar com sistemas de satélite interligados a serviços de controle ambiental", afirmou.

CB, 21/05/2008, Política, p. 7

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