CB, Política, p. 9
11 de Out de 2008
Minc não aceita pressões petistas
Ministro do Meio Ambiente não recua da decisão de nomear técnica ambiental para o comando do Ibama no Distrito Federal, apesar das reclamações do presidente do PT-DF, Chico Vigiliante
Samanta Sallum e Leonel Rocha
Da equipe do Correio
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, respondeu ontem aos ataques do PT-DF por não ter escolhido um nome do quadro regional do partido para assumir a superintendência do Ibama na capital. Afirmou que tem o aval do presidente Lula para promover as mudanças de chefia na estrutura do órgão. "Não dá para tratar o ministério como um clube, uma ação entre amigos. Eu adotei o estilo de fortalecer a linha técnica e isso desagrada alguns setores", disse ontem ao Correio, depois de evitar o assunto, durante entrevista coletiva sobre ações para punir empresas que desmataram a Amazônia.
Minc reforçou que a liberdade para montar sua equipe foi uma condição apresentada ao presidente Lula antes de assumir o cargo. "Sim, todos podem dar sugestões. Mas há setores que acham que os ministérios são feudos. Não pode ser assim", destacou. O ministro contestou a informação, divulgada em nota do PT, de que a nova chefe do Ibama-DF está sendo "importada" de São Paulo. Segundo o ministro, Maria Silva Rossi, nomeada na quarta-feira para o comando regional do órgão, é de Brasília, tem doutorado na área de Meio Ambiente e estava apenas trabalhando em São Paulo.
Prata da casa
"A prioridade é o critério técnico. Não perguntei o partido de ninguém na hora de definir nomes para cargos importantes.
Valorizo a prata da casa", disse.
Esse foi o critério adotado para nomear os presidentes do Ibama, do Instituto Chico Mendes e de secretario-executivo do ministério. A direção do PT-DF não se conforma com o fato de não ter sido considerada a lista tríplice com as indicações de petistas de Brasília para o cargo. "O ministério realmente não pode ser tratado como um clube e também não é propriedade particular de Carlos Minc", rebateu Chico Vigilante, presidente regional do PT. O partido esperava emplacar no lugar de Maria Silva um dos três nomes que havia indicado: Wasny de Roure, Chico Floresta ou Chico Machado.
"O PT-DF foi mais uma vez ultrajado com as atitudes do ministro Carlos Minc. Lamentamos que um ministro do PT procure promover a cizânia com a direção do partido que lhe tem dado sustentação", destaca a nota do PT-DF na quarta-feira.
Ontem, após o comentário de Minc, Vigilante afirmou que a briga não é por cargos. "Nossa preocupação é com a gestão da Área de Proteção Ambiental do Planalto Central. Nunca tivemos esse tipo de problema com a ministra Marina Silva". Diante da polêmica, ainda não foi marcada a posse da nova chefe do Ibama no DF. Maria Silva vai substituir Francisco Palhares que foi retirado do cargo em agosto, um mês depois de Carlos Minc ter assumido o ministério. A mudança já tinha provocado a indignação do PT-DF.
CB, 11/10/2008, Política, p. 9
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