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Minc critica colega sobre Código Florestal

OESP, Vida, p. A14
13 de Jan de 2009

Minc critica colega sobre Código Florestal
Stephanes, da pasta da Agricultura, não pode parar debate, diz ministro

Felipe Werneck, RIO

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ontem que o titular da pasta da Agricultura, Reinhold Stephanes, "radicalizou muito" ao acabar com o grupo de trabalho que discutia uma proposta comum de mudanças no Código Florestal. "Não vejo que ele tenha poder de extinguir a discussão", afirmou.

Segundo Minc, existem mais de 20 projetos de lei no Congresso para modificar o código e "ninguém tem maioria para aprovar ou desaprovar se não tiver um acordo maior". Ele admite algumas mudanças, mas diz que a "pressão" de ruralistas para diminuir restrições da legislação ambiental é "inadmissível". Um dos principais pontos de discordância foi a proposta, apoiada por ruralistas, de redução da reserva legal na Amazônia de 80% para 50%.

Além dos dois ministérios, parlamentares da bancada ruralista e ambientalistas participaram de três rodadas de discussão. A última reunião ocorreu no fim de novembro. Paulo Adário, diretor do Greenpeace responsável pela Amazônia, criticou o ministro da Agricultura. "O Stephanes desde o início teve uma postura equivocada como ministro de Estado e atuou como porta-voz da bancada ruralista e não do governo federal. Ele não está lá para isso", afirmou. O Greenpeace faz campanhas contra mudanças no código, mas admite a possibilidade de acordo em relação, por exemplo, a áreas já desmatadas.

A assessoria de imprensa do ministro da Agricultura informou, sobre a declaração de Minc, que ele "não vai entrar nessa discussão emocional porque ela não tem fim". Já sobre a acusação do representante do Greenpeace, informou que Stephanes "nasceu na roça, é servidor público formado em economia e não tem um pedaço de terra no Brasil".

Minc admite que grande parte do Código Florestal, que tem 44 anos, é descumprida. "Em SP e no PR, nenhuma empresa de soja e café tem os 20% da reserva legal e eles não demarcam as Áreas de Preservação Permanente, as margens de rios e encostas", disse Minc. Em alguns pontos, porém, há concordância, afirmou. "Macieiras que estão há 80 anos em encostas de SC, ninguém vai querer arrancar." Para ele, a discussão pode ser retomada. "Queremos mais produção com mais proteção."

O ministro participou, no Rio, da inauguração do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), resultado da fusão de três órgãos vinculados à Secretaria de Ambiente, que Minc ocupou antes de ir para Brasília. A principal medida anunciada foi a redução dos prazos para concessão de grandes licenças. "Várias ideias daqui estamos levando para Brasília, entre elas o licenciamento ambiental mais ágil e mais rigoroso. Quanto mais tempo demora mais possibilidade de ter corrupção", declarou Minc.

OESP, 13/01/2009, Vida, p. A14

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