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Metas do milênio avançam, mas de forma lenta; ONU pede investimentos

OESP, Vida, p. A20
21 de Set de 2010

Metas do milênio avançam, mas de forma lenta; ONU pede investimentos
Em reunião de três dias iniciada ontem em Nova York, secretário-geral da entidade defende que a crise econômica não pode frear as doações de nações desenvolvidas para programas de combate à pobreza extrema, em especial no continente africano

Gustavo Chacra Correspondente / Nova York

A Organização das Nações Unidas (ONU) avalia que houve avanço nas metas do milênio, estabelecidas há dez anos, apesar de a eliminação da fome e da miséria estar distante de ser cumprida até 2015. Segundo a entidade, para não haver um fracasso é importante que os doadores não abandonem a luta internacional contra a redução da pobreza.
Em reunião iniciada ontem e que dura até amanhã em Nova York, antecedendo a Assembleia-Geral da ONU, o secretário-geral Ban Ki-moon pediu a cerca de 140 chefes de Estado para que mantenham o investimento necessário e a vontade política para eliminar a pobreza.
O temor do secretário-geral é o de que a crise econômica internacional afete os resultados finais das metas do milênio. Países ricos ficaram para trás nas suas promessas e tem havido obstáculos para atrair doadores para programas de combate à pobreza extrema.
"Não há nenhum projeto mais importante (que as metas do milênio). Por esse motivo, precisamos enviar uma mensagem forte de esperança. Vamos manter a nossa promessa", disse Ban no encontro para avaliar os resultados da primeira década das metas do milênio.
As Nações Unidas reconheceram que, mesmo se o objetivo principal de reduzir a pobreza extrema pela metade nos próximos cinco anos for atingido, ainda assim cerca de 1 bilhão de pessoas continuarão vivendo com uma renda de menos de US 1,25 (R$ 2,15) por dia.
De acordo com o secretário-geral, os melhores resultados nas oito metas do milênio podem ser observados no acentuado crescimento de crianças frequentando escolas e no controle de doenças como a aids. Ainda assim, há 69 milhões de crianças fora da escola no mundo. O problema se concentra nos 60 países mais pobres.
As metas do milênio também preveem a igualdade entre os sexos, o investimento em saúde infantil e das mães, na sustentação ambiental e na parceria global (mais informações nesta página).
Propostas. No encontro da ONU desta semana, os chefes de Estado ou seus representantes começaram a apresentar os resultados de seus países. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não comparecerá e será representado pela ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes.
Alguns presidentes apresentaram propostas. O francês Nicolas Sarkozy defendeu o estabelecimento de um imposto para transações bancárias internacionais, afirmando que as nações desenvolvidas têm uma obrigação moral com as mais pobres, em especial as da África, que sofrem com doenças que poderiam ser prevenidas, como a malária.
Ele também prometeu um aumento de 20% na contribuição anual de US$ 10 bilhões para as pessoas mais pobres do mundo e pediu que outros líderes assumissem um compromisso semelhante. "Não temos o direito de fazer menos do que decidimos fazer. Não voltemos a adotar maus hábitos", afirmou Sarkozy.
O boliviano Evo Morales culpou a pobreza pela transferência de recursos naturais dos países mais pobres para os mais ricos. O israelense Shimon Peres abordou o tema do terrorismo. "Sem paz, a pobreza continuará. Sem comida, a paz não prevalecerá", afirmou. "Ainda assim, terroristas espalham uma violência causada por diferenças ideológicas, abismos sociais e fanatismo. O novo milênio deve libertar o mundo do derramamento de sangue, da discriminação, da fome, das doenças." / Com AP

Defesa dos pobres
Nicolas Sarkozy
Presidente da França
"A crise financeira é grave nos países ricos, ela gera déficits. Mas as consequências são muito piores para os países pobres."
"A malária mata 1 milhão de crianças na África por ano. Antes do fim do meu discurso, 30 crianças terão morrido."

Objetivos das Nações Unidas

META DE 2015

1. Fome e miséria
2. Educação básica
3. Igualdade de gênero
4. Mortalidade infantil
5. Saúde das mães
6. Aids e malária
7. Meio ambiente
8. Parceria global

Reduzir pela metade a fome e a miséria (pessoas vivendo com mmenos de US$ 1,25 ao dia)

Assegurar que 100% das crianças completem o ensino fundamental

Eliminar a disparidade entre os sexos, sobretudo na educação
R
eduzir em dois terços a morte de crianças com até 5 anos

Reduzir em dois terços a morte de mulheres na gestação e no parto

Dar acesso universal a tratamento e deter o avanço das epidemias

Reduzir em 50% o número de pessoas sem saneamento e água; diminuir a perda de biodiversidade

Firmar cooperação para que países ricos ajudem os pobres e aumente o acesso a tecnologia e remédios

Mundo de hoje

Pobreza caiu, mas fome ainda atinge 19% da população mundial - em 1990 eram 20%

Eram 103 milhões fora da escola em 90; hoje são 69 milhões

As mulheres são 70% das pessoas que vivem na pobreza

8 milhões morrem ao ano; 50% das mortes são evitáveis

Apesar de avanços, 6 países concentram 50% das mortes

Resultados variam no mundo. África não teve avanços na aids

Acesso a água está melhorando em todo o mundo; 1,6 bilhão ganhou água potável

Ajuda anual tem sido de US$ 38 bi, abaixo do prometido

OESP, 21/09/2010, Vida, p. A20

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100921/not_imp612862,0.php

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