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Metano diminui vantagem de gás natural

O Globo, Ciência, p. 27
03 de Jan de 2013

Metano diminui vantagem de gás natural
Emissões nos EUA seriam o dobro das taxas divulgadas pela indústria

A comunidade científica americana acendeu novamente o alarme contra as emissões de metano registradas em campos de petróleo e gás. O tema volta à pauta em meio às discussões sobre os benefícios ambientais (menos emissões de gases-estufa) trazidos pelo aumento da produção de gás natural.
Os pesquisadores, em colaboração com a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa) e a Universidade do Colorado, manifestaram primeiramente sua preocupação em fevereiro do ano passado, com um estudo destacando que 4% do metano produzindo em um campo próximo a Denver, capital do estado do Colorado, escapava para a atmosfera.
Se o metano - um potente gás-estufa - estiver vazando em taxas semelhantes em campos semelhantes no resto do país, o dano ambiental neutralizaria as conquistas obtidas no combate às mudanças climáticas trazidas pelo abandono crescente do uso de carvão para a geração de eletricidade.
Autoridades da indústria e alguns cientistas contestam as denúncias, mas no mês passado, em encontro da União Geofísica America na Califórnia, os pesquisadores apresentaram novos índices que corroboram os relatórios anteriores, assim como resultados preliminares de um outro estudo, agora realizado no campo de petróleo da Bacia Uinta, no estado de Utah.
Neste local foram registrados índices ainda maiores de vazamento de metano, que correspondem a 9% da produção total. Trata-se de quase o dobro da perda estimada, de acordo com as taxas divulgadas pela indústria.
- Esperávamos ver níveis altos de metano, mas não acredito que ninguém realmente compreende a magnitude do que encontramos - lamenta Colm Sweeney, chefe da equipe do Laboratório de Pesquisas da Noaa, que analisou as emissões do gás.
Ainda não se sabe se as altas taxas de vazamento encontradas no Colorado e em Utah são comuns em outras reservas de petróleo e gás dos EUA e outros países. Os dados já obtidos pela Noaa representam uma visão "pequena e momentânea" de um problema muito maior para o qual a comunidade científica está acordando, segundo Steven Hamburg, chefe do Fundo de Defesa Ambiental em Boston.
Modelos atmosféricos
Pesquisadores da Noaa coletaram no início do ano passado as informações divulgadas, como parte de uma análise mais ampla sobre poluição do ar na Bacia de Uinta. Usaram sensores terrestres e uma aeronave para detalhar as medidas de vários poluentes, incluindo concentrações de metano.
Os cientistas adotaram modelos atmosféricos para calcular as taxas de emissões de metano necessárias para atingir aquelas concentrações, e em seguida compararam estes índices com a produção de gás. Obtiveram, assim, o percentual que está escapando para a atmosfera via áreas de ventilação e vazamentos.
Os resultados se baseiam nos anteriores obtidos no Colorado. O estudo é pautado em medições de poluição realizadas em terra e em um torre vizinha, e estimou uma taxa de vazamento que era o dobro da divulgada pelo governo.

O Globo, 03/01/2013, Ciência, p. 27

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