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Meta é acabar com desnutrição nas aldeias em 2006

Correio do Estado-Campo Grande-MS
06 de Ago de 2003

O problema da alimentação pobre nas aldeias é o principal desafio da Fundação Nacional de Saúde

O Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Desai/Funasa) estabeleceu como uma das metas de seu plano estratégico eliminar a desnutrição entre os povos indígenas até 2006. A desnutrição é um problema que atinge cerca de 30% das crianças indígenas de 0 a 5 anos. Entre meninos e meninas não-índios, esta taxa é de 16,3%. O objetivo do Desai/Funasa é reverter este quadro e equiparar os números de subnutrição entre população indígena e não-indígena.
Reportagem publicada no último domingo pelo Correio do Estado mostrou que as mortes de índios nas aldeias de Dourados aumentaram 55,5%, envolvendo as aldeias Jaguapiru, Bororo, Panambi e Panambizinho, que juntas possuem uma população de 9 mil índios.
A desnutrição infantil é uma das principais responsáveis por esse índice. Assassinatos, doenças e acidentes de trânsito também contribuem para este quadro. No caso da mortalidade infantil, de 0 a 1 ano, houve um aumento de 23%. De janeiro a julho de 2002 ocorreram 13 mortes nesta faixa etária, contra 16 registradas este ano.
Como estratégia de combate à desnutrição, o Desai/Funasa vai incluir, a partir deste ano, as populações indígenas no Programa Bolsa-Alimentação, além de articular com o Fome Zero alternativas para o desenvolvimento auto-sustentável da produção de alimentos nas áreas rurais. Outra proposta de ação é assegurar a toda criança indígena o acompanhamento de seu crescimento e desenvolvimento.
Em Dourados, o Desai/Funasa mantém um Centro de Recuperação de Desnutridos que atende as aldeias vizinhas da cidade, situadas ao sul do Estado. Os casos de subnutrição severa são encaminhados para os hospitais. A enfermeira Maria Luiza Palma, integrante da equipe da Funasa que atende no centro, conta que, normalmente, crianças de 1 ano chegam ao centro pesando cinco quilos. "Nosso trabalho tem como objetivo evitar o óbito", enfatiza Maria Luiza.
No hospital, os pequenos pacientes recebem, em média, cinco refeições por dia. Em alguns casos, eles ficam internados por até nove meses. O trabalho do centro tem dado resultado positivo. Em 2001, ano de início de atividade do hospital, foram registradas 21 mortes por desnutrição. Em 2002, este número caiu para cinco.
Uma outra ação desenvolvida para melhorar as condições nutricionais dos indígenas nos municípios de Dourados, Amambai, Iguatemi e Coronel Sapucaia foi batizada de "sopão". Consiste em uma reunião supervisionada por um enfermeiro e um nutricionista da Funasa. Durante esta atividade, um agente indígena de saúde reúne vários membros da aldeia em uma determinada casa, localizada em regiões onde a desnutrição representa uma ameaça. Enquanto prepara a sopa, o nutricionista explica como manusear os alimentos e fala sobre a importância nutricional de verduras, legumes, frutas e proteínas. O enfermeiro, auxiliado pelo agente indígena de saúde, pesa as crianças e repassa noções de higiene pessoal.

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