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Mesmo em motor velho, diesel S50 baixa poluição

OESP, Vida, p. A22
08 de Out de 2008

Mesmo em motor velho, diesel S50 baixa poluição
Relatório do governo, de janeiro, aponta redução de 40% da emissão de material particulado

Cristina Amorim

Veículos velhos alimentados com diesel mais limpo, com menos enxofre, contribuem com a melhoria da qualidade do ar, indica um documento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Datado de 9 de janeiro deste ano, ele aponta a vantagem ambiental ao discorrer sobre a comercialização do diesel com 50 partes de enxofre por milhão (ppm), chamado de S50, nas regiões metropolitanas em 2009.

Segundo o texto, "testes realizados indicaram que o uso do mencionado diesel em motores antigos provoca redução de 40% em material particulado e de 10% a 15% em óxido de nitrogênio e monóxido de carbono". Os três itens são poluentes que saem pelo escapamento dos ônibus, caminhões e utilitários abastecidos com diesel e que levam ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

O documento responde a um pedido de informação do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP). Ele também informa que o benefício ambiental depende de os veículos estarem devidamente regulados, com manutenção adequada.

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a 315, de 2002, determina que o diesel S50 substitua os tipos mais poluentes, com 500 ppm e 2.000 ppm de enxofre, em 1o de janeiro. Porém, o texto não deixa claro se a quantidade a ser disponibilizada deve ser suficiente para abastecer veículos novos e antigos ou apenas os veículos novos.

O Ministério Público Federal, secretarias de Meio Ambiente de São Paulo (estadual e municipal) e de Minas Gerais, organizações civis e médicos afirmam que a primeira interpretação deveria ser a válida, ao alegar menor impacto à saúde da população ao incluir veículos antigos na conta. A Petrobrás prefere a segunda interpretação - que foi referendada pela Justiça no mês passado.

Segundo o secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, o valor exato do ganho ambiental é discutido, ainda que não contestado. "A Petrobrás fala em 10%, outras fontes falam em 40%. Mas mesmo 10% seria maravilhoso", afirma. "A simples regulagem, pelas inspeções veiculares, forneceria um ganho de mais de 10%. Com o S50, então, somariam-se dois benefícios."

SEM PROBLEMAS

Em ofício datado de 22 de agosto, em resposta a uma solicitação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) diz que não há problemas técnicos em colocar diesel mais limpo em motores preparados para receber diesel mais sujo. O que falta é colocar o combustível no mercado.

"Até onde a Anfavea tem conhecimento, os veículos pesados e motores hoje produzidos por suas associadas já são compatíveis com esse novo combustível (S50). Portanto, tão logo seja disponibilizado o fornecimento desde diesel S50 no município de São Paulo, não haverá impedimento algum a que os referidos veículos pesados e motores sejam abastecidos com o novo combustível."

Ao Estado, a Anfavea, por meio de sua assessoria de imprensa, reiterou a informação. Segundo a associação, o que não é possível é abastecer veículos novos, preparados para receber o S50, com o diesel sujo atualmente utilizado no País.

Qualidade do ar altera pulmão de fetos, diz estudo

Efe

A poluição atmosférica fomenta alterações pulmonares no feto humano quando a mãe respira elevadas concentrações de partículas em suspensão, diz estudo suíço apresentado ontem em Berlim. Philipp Latzin, da Universidade de Berna, investigou a relação entre a poluição atmosférica e os problemas pulmonares em 241 recém-nascidos. Os filhos de mulheres que vivem perto de vias com muito tráfego respiram mais rápido, 48 vezes por minuto em vez de 42, e sofrem mais infecções nas vias respiratórias.

OESP, 08/10/2008, Vida, p. A22

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