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Mesmo com cotas, indígenas têm dificuldades para concluir curso superior

Bom Dia MS
10 de Jul de 2007

Dos 637 aprovados até agora, 395 se matricularam, mas destes, apenas 181 continuam estudando.

Desde de 2003 a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) reserva 10% das vagas para os estudantes indígenas. O sistema de cotas foi implementado para garantir acesso destes povos à universidade, mas ainda restam desafios, como preencher todas as vagas e diminuir o índice de desistência, que é alto.

Daiane é aluna do 2o ano de letras da UEMS. A Guarani-Kaiowá mudou de Amambaí para Dourados na tentativa de realizar o sonho de se formar, mas não sabe se vai conseguir: falta dinheiro até para o aluguel. "O dono veio falar comigo, e disse que se não tem como pagar eu vou ter que sair. Então fiquei pensando se eu vou voltar depois das férias. Eu estou pensando em desistir", diz.

Desde 2003, quando o sistema de cotas começou, foram oferecidas 728 vagas, mas apenas 637 indígenas que fizeram o vestibular conseguiram a aprovação. Sobraram 91 vagas, que foram oferecidas a outros estudantes.

Assim como ocorre com os outros acadêmicos, os indígenas também precisam atingir a média geral exigida pela universidade. Dos 637 aprovados até agora, 395 se matricularam, mas destes, apenas 181 continuam estudando. Um índice de evasão de 45%.

O pró-reitor de ensino, Cléverson Daniel Dutra, alerta que a desistência é maior no inicio do curso. "Eles encontram toda essa dificuldade de um mundo novo, principalmente para os indígenas que tem que sair de suas aldeias, deixar as suas famílias, viver em uma cultura muitas vezes diferente, existe essa dificuldade de relacionamento com as pessoas. E podemos dizer, claro, que existe de certa forma o preconceito escondido por trás das pessoas. E existe a dificuldade econômica, de se manter longe da cidade onde moram, de alimentação, moradia, locomoção. E a questão de encontrar um curso que muitas vezes tem um nível de dificuldade muito grande."

Simone Eloy Amaro já passou pelo mesmo drama de Daiane. A Terena, que veio de Aquidauana e está no 2o ano do curso de Direito, já pensou em desistir. A falta de recursos continua sendo um desafio até hoje. "No começo desse ano eu pensei em ir embora, porque estava demorando a nossa ajuda de custo que nós temos aqui. E eu pensei em ir embora porque é difícil, porque o custo de vida aqui é muito alto".

E este não é o único problema. Vencendo as dificuldades aos poucos, Genivaldo da Silva Vieira, também de Aquidauana e da mesma turma de Simone, acredita que a carência também é na qualidade do ensino antes de chegar ao curso superior. Defasagem que prejudica os indígenas.

"Quando chega na aldeia, nós temos uma defasagem maior ainda. E quando nós chegamos ao ensino superior, nós nos deparamos com uma defasagem incalculável. Tanto é que nós não conseguimos muitas vezes assimilar o conteúdo, as disciplinas, e às vezes nós acabamos voltando para trás", explica Genivaldo, que para conseguir o diploma, encara cada aula assistida como uma vitória

Para os negros, a UEMS destina 20% das vagas.

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