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Mercado de carbono avança, apesar de Kyoto

OESP, Geral, p. A13
03 de jun de 2004

Mercado de carbono avança, apesar de Kyoto

HERTON ESCOBAR

O futuro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) depende do Protocolo de Kyoto, cuja ratificação final depende da adesão da Rússia.
Mesmo sem o tratado, entretanto, empresários e especialistas do setor acreditam que o mercado de créditos de carbono poderá ser um negócio lucrativo - ainda que em menor escala. Paralelamente ao protocolo, vários contratos já estão sendo firmados entre empresas e governos para atender a metas internas de redução de emissões.
"Acho que é inevitável", aposta Ricardo Esparta, da consultoria Ecoinvest, especializada em projetos de desenvolvimento limpo. Com base nas regras de Kyoto, a União Européia já criou um mecanismo próprio para a comercialização de créditos de carbono, que passará a funcionar em 2005. Vários países já realizam leilões para a compra de créditos e o Fórum Econômico Mundial criou um Registro Global de Gases do Efeito Estufa, para monitorar a redução de emissões na indústria. Até os EUA, que rejeitaram Kyoto, têm metas de redução para suas empresas.
"Mesmo sem o Protocolo de Kyoto, já temos uma sistemática funcionando", diz o gerente de negócios da Ecológica Assessoria, Antonio Lombardi.
O mercado consiste na compra e venda de certificados pela redução de emissões de gases do efeito estufa. Como o problema é o acúmulo desses gases na atmosfera, as reduções contam para todo o planeta, independentemente de onde sejam executadas. Nações que não puderem cumprir suas metas internamente, portanto, podem comprar créditos pelo corte de emissões em outros países.
O coordenador de Mudanças Globais do Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Miguez, entretanto, acredita que o mercado não progredirá sem o protocolo. "O que gera demanda é uma regulamentação impositiva. Sem o protocolo, você perde o mecanismo motor que vai puxar o mercado."

OESP, 03/06/2004, Geral, p. A13

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