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Meio Ambiente perde diretora de Qualidade

OESP, Nacional, p. A4
17 de Jun de 2004

Meio Ambiente perde diretora de Qualidade

JOÃO DOMINGOS

Muito fortes no governo do PT, principalmente por ocuparem os principais postos no Ministério do Meio Ambiente e no Instituto Brasileiro de Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), as entidades ambientalistas tiveram esta semana significativa baixa. Marijane Lisboa, ex-Greenpeace, demitiu-se da Diretoria de Qualidade Ambiental da pasta. Ela já está fora, embora a exoneração ainda não tenha sido publicada no Diário Oficial da União.
Marijane era tida no ministério como uma das vozes mais radicais do "setor conceitual", caracterizado pelo combate feroz à regulamentação do plantio de transgênicos e a tudo o que possa significar ameaça ao meio ambiente. "Saio por motivos pessoais. Voltarei à minha cátedra de professora da PUC, em São Paulo", afirmou ela. "Só posso dizer isso. Não tenho mais nada a declarar."
Os motivos, porém, ultrapassam os pessoais, segundo informações vazadas no ministério. Marijane teria entrado em choque com o setor dos "pragmáticos", conhecido como "ala dos gaúchos", comandado pelo secretário-executivo da pasta, Cláudio Langoni. Esse setor é mais aberto e há nele os que defendem, por exemplo, as pesquisas com sementes transgênicas.
Sem racha - Langoni não quer polêmica. "A Marijane pediu para sair. Não houve desentendimentos", garante. Ele diz que a entrada dela no governo foi importante e, por ter sido do Greenpeace, adquiriu grande experiência na convivência com entidades ambientalistas e empresários. Mas avalia que o ministério não oferece muitos atrativos. "O ritmo de trabalho no MMA é muito puxado, porque temos sérios problemas estruturais. Há muito trabalho para pouca gente", conta. "Eu só posso afirmar que todo mundo trabalha em colaboração e a passagem da Marijane por aqui foi muito importante."

OESP, 17/06/2004, Nacional, p. A4

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