CB, Cidades, p. 23
19 de Jan de 2007
Meio ambiente nas mãos de especialista
Gizella Rodrigues
Da equipe do Correio
A pasta ambiental voltará às mãos de um especialista. Depois de extinguir a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e fundi-la à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, o novo governo decidiu criar o Instituto Brasília Ambiental, que tratará das questões de meio ambiente no Distrito Federal. O professor Gustavo Souto Maior, coordenador do Núcleo de Estudos Ambientais (NEA) da Universidade de Brasília (UnB), comandará o órgão. O nome dele foi confirmado pelo governador José Roberto Arruda e pelo secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Cássio Taniguchi. A nomeação deve ser publicada nos próximos dias, no Diário Oficial do DF.
Até que o Instituto Brasília Ambiental seja criado, o que exige a aprovação de uma lei na Câmara Legislativa, Gustavo Souto Maior assumirá o cargo de subsecretário de Meio Ambiente. O governador deve enviar o projeto de lei assim que os deputados distritais voltarem do recesso, em 1o de fevereiro. Inicialmente, o instituto terá a competência das extintas Semarh e Comparques.
O Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a criar um órgão para o controle do meio ambiente, mas, nos últimos três anos, o cargo de secretário era ocupado apenas por indicação política. Em 1989, foi instituída a Secretaria do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (Sematec), na gestão do ex-governador Joaquim Roriz. O primeiro secretário foi o engenheiro civil Rubem Fonseca, que tinha cursos de especialização na área ambiental. Em 2000, a Sematec foi transformada em Semarh. Entre 2003 e 2006, o cargo de secretário foi ocupado pelo pastor Jorge Pinheiro, ex-deputado federal, por Antônio Gomes, atual diretor da Companhia Imobiliária do DF (Terracap), Roberto Giffoni, corregedor-geral do novo governo, e pelo jornalista Rubens Martins, o último secretário. Nenhum deles era especialista no assunto.
Os ambientalistas não concordam com a extinção da Semarh nem com a criação do instituto. "Meio ambiente é muito mais que fauna e flora e concessão de licenças ambientais. Quando a pasta fica vinculada à de habitação, o próprio governo não entende esse conceito. Na verdade, as duas pastas foram fundidas para acelerar a emissão de licenças para os condomínios. Isso é uma visão retrógrada", afirma a doutora em geologia e integrante do Fórum das ONGs Ambientalistas do DF, Mônica Veríssimo. Para ela, o instituto não terá autonomia.
Em entrevista ao Correio em 12 de janeiro, Cássio Taniguchi, rebatia a crítica. "É preciso haver integração nessas áreas. O governo Roriz tinha 36 secretários, mas um ficava batendo cabeça com o outro", afirmou. Gustavo Souto Maior é engenheiro cartógrafo, com mestrado em gestão econômica do meio ambiente pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorando em ciências ambientais. Desde 1993, ele trabalha na Câmara Legislativa do DF - é consultor legislativo concursado na área de meio ambiente, desenvolvimento urbano e rural desde 1993.
CB, 19/01/2007, Cidades, p. 23
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.