O Globo, Amanhã, p. 7
09 de Jul de 2013
Medida global para o aquecimento
Cidades desenvolverão um método unificado para calcular suas emissões de gases do efeito estufa e intensificar combate de mudanças climáticas associadas à ação humana
CLÁUDIO MOTTA
claudio.motta@oglobo.com.br
O Painel Intergovernamental sobre mudanças climáticas (IPCC, na sigla em inglês) já estabeleceu as diretrizes para calcular quanto os países emitem de gases de efeito estufa. Porém, ainda não há um padrão internacionalmente aceito capaz de fazer a mesma conta em nível municipal. Essa deficiência poderá ser sanada por 33 cidades de diversas partes do mundo, inclusive o Rio de Janeiro. O grupo, que conta com o apoio de centros de pesquisa, das Nações Unidas e de ONGs, trabalha para construir um modelo matemático capaz de estimar as emissões municipais de gases-estufa. O objetivo é que o modelo esteja pronto em 2014.
As cidades que decidiram calcular suas emissões criaram métodos próprios, dificultando as comparações entre diferentes centros urbanos. Para aproximar as diferentes abordagens, o centro de pesquisas World Resources Institute (WRI) promove uma série de encontros, como o I Seminário Internacional sobre Inventário de Emissão de Gases do Efeito Estufa de Cidades, que foi realizado na última quinta-feira, no Jardim Botânico do Rio.
- As cidades mostram mais protagonismo a respeito do que podem fazer contra as causas das mudanças climáticas associadas à ação humana - diz pesquisador da Coppe/ UFRJ Emilio La Rovere, um dos participantes do seminário internacional. - Falamos principalmente da diminuição da queima de combustíveis fósseis derivados do petróleo ou do carvão mineral.
Políticas públicas municipais podem ter grande impacto nas emissões de gases-estufa. Quando uma cidade estimula o uso do transporte coletivo em detrimento da circulação de automóveis particulares, há menos queima de combustíveis. Medir o impacto de iniciativas como essa, entretanto, é paradoxalmente mais difícil num município do que num país, já que especialistas enfrentam dificuldades na hora de calcular em detalhes as emissões de ônibus intermunicipais. Dúvidas também podem ocorrer quando o lixo gerado numa cidade é enviado para outra. Este é o caso do Rio de Janeiro, que usava o aterro sanitário de Gramacho e hoje leva grande parte de seus resíduos em Seropédica.
- O novo padrão de medição das emissões deve seguir o princípio da responsabilidade, e não a fronteira geográfica - explica Rovere. - Sendo assim, as emissões do aterro de Gramacho devem ser contabilizadas no Rio, que foi responsável pelo lixo.
Já Nelson Moreira Franco, gerente de mudanças climáticas da prefeitura do Rio, espera que o futuro modelo de cálculo de emissões facilite a troca de informações entre cidades:
- Deveremos ser uma das primeiras cidades a produzir um inventário de emissões no novo modelo. Queremos apresentá-lo na COP-19, em novembro, em Varsóvia, Polônia.
O Globo, 09/07/2013, Amanhã, p. 7
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