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'Me sinto humilhado ao lembrar as consequências da degradação ambiental', diz presidente do Itaú

OESP - https://economia.estadao.com.br/noticias/geral
07 de Dez de 2020

'Me sinto humilhado ao lembrar as consequências da degradação ambiental', diz presidente do Itaú
Em evento do banco para discutir temas sociais e ambientais, banqueiros dizem que País corre risco concreto de afugentar investidores se não reverter esse cenário

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo
07 de dezembro de 2020

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou nesta segunda-feira, 7, que se sente "quase humilhado" de lembrar as consequências da degradação ambiental para o Brasil, e que há expectativa internacional para que esse movimento seja revertido. "Me sinto quase humilhado de ter de lembrar das consequências concretas, que vai faltar investimento, vão cortar o crédito. Apenas o fato de ser nossa casa e os males que possam ser causados deveria ser suficiente", disse, na abertura da conferência Itaú Amazônia, promovida pelo banco.
Bracher alertou para o impacto sob a ótica do investimento, com o Brasil podendo sofrer discriminação caso não atente para a questão ambiental. "Haverá discricionariedade contra o Brasil na seleção de investimentos", ressaltou, dizendo que em encontros internacionais, há cobrança constante e expectativa de que o Brasil reaja.
As crises ambientais, segundo Bracher, podem ser gravíssimas como as da saúde, referindo-se à pandemia, com a diferença de quem não surgem do dia para a noite. "Não acontecem do dia para a noite como a covid-19, que surgiu em duas ou três semanas. Demoram anos se construindo, e os efeitos podem ser muito mais graves e difíceis de serem revertidos", disse o presidente do Itaú.
"Essa percepção nos motivou a nos unirmos para buscar trabalhar solução, ajudar a construirmos uma solução para o problema da Amazônia", acrescentou.
O Itaú promove, entre hoje e quarta-feira, 9, conferência sobre Amazônia, cujo objetivo é arrecadar doações para apoiar projetos locais. O evento, online por conta da pandemia, foi inspirado em um tradicional encontro feito no exterior, com o mesmo objetivo de articular o setor financeiro para temas sociais e ambientais.
País deveria liderar agenda ambiental
O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, que participa do evento, alertou para o risco de os investidores repensarem suas posições em empresas brasileiras caso o Brasil não abrace tendências sociais e ambientais. "Não absorvendo as tendências do planeta, investidores e clientes vão repensar posicionamento em empresas do Brasil", enfatizou o executivo. "Em fazendo isso, os investimentos são inquestionáveis."
No setor privado, Rial chamou atenção para a pecuária. Segundo ele, a indústria da carne tem condições de despontar de "maneira clara" para contribuir com um planeta melhor e se tornar referência na absorção de tendências. "Estamos migrando para uma economia de baixo carbono. A indústria de pecuária tem de transitar nessa economia de baixo carbono."
Para o presidente do Santander, o País deveria estar liderando a agenda de mudanças climáticas, lembrando que a economia é dependente de petróleo. O Brasil tem, conforme ele, todas as condições de despontar nessa pauta.

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