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Mau tempo faz ministro cancelar agenda em Dourados

BBC News - http://bbcnews.com.br/
Autor: Henrique de Matos
01 de Jul de 2009

Lideranças indígenas dançavam enquanto esperavam o ministro Jorge Félix, ontem de manhã

Henrique de Matos

Em função do mau tempo, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Jorge Armando Félix, cancelou a agenda que teria ontem em Dourados. Ele se reuniria com lideranças indígenas da região cone sul do Estado para tratar de assuntos relacionados aos estudos antropológicos que serão realizados pela Funai em 26 municípios de Mato Grosso do Sul para identificação de áreas indígenas.

O encontro aconteceria no Comando da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. No entanto, o avião que transportava o ministro não pode pousar na manhã de ontem no aeroporto municipal de Dourados devido à falta de visibilidade. Diante da situação, Félix acabou retornando à Brasília, onde tinha compromissos agendados ainda na manhã de terça-feira.

Félix veio a Mato Grosso do Sul com a missão de apaziguar os ânimos na disputa por terras, entre índios e produtores rurais. A visita, segundo o ministro, foi determinada pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de apurar informações das partes envolvidas e buscar a realização de um processo pacífico, sem conflitos e prejuízos aos produtores.

Na segunda-feira, ele se reuniu, em Campo Grande, com o governador André Puccinelli (PMDB), coordenadores da Funai, deputados estaduais e representantes dos produtores rurais.

Felix procurou tranqüilizar a classe política e os produtores rurais sobre o processo de vistoria e eventuais demarcações de novas áreas indígenas no Estado. Segundo o ministro, mesmo se houver demarcação em MS, serão respeitados os direitos de propriedade.

Na semana passada, Puccinelli obteve no Ministério da Justiça, em Brasília, a garantia de que os produtores serão indenizados pela terra e benfeitorias.

PRODUTORES

O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia, disse ontem que a visita do ministro demonstra um desejo de "entendimento" por parte do governo federal. "Os produtores rurais não vão abrir mão do direito de propriedade. Se o governo federal mostra disposição para pagar as indenizações o acordo se torna mais fácil", disse.

O presidente da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Ademar Silva Júnior, também foi procurado pela reportagem. No entanto, a assessoria de comunicação da Famasul informou que a entidade não vai se manifestar sobre a questão da demarcação de áreas indígenas em MS até a próxima segunda-feira, quando o governador André Puccinelli, deputados estaduais e membros da bancada federal de MS devem se reunir com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para discutir os estudos antropológicos.

RECLAMAÇÃO

No encontro com o ministro, Puccinelli fez reclamações sobre atuação da Funai. "Nós dissemos que quem faz pelos índios é o governo de Mato Grosso do Sul, um pouco a Funasa, o Ministério do Desenvolvimento Social e o Ministério da Educação. A Funai não põe um centavo", afirmou o governador.

Segundo Puccinelli, foi "louvável" a iniciativa do governo de enviar o ministro a Mato Grosso do Sul. Ele avaliou que a visita foi importante para o governo federal "tomar consciência de que a realidade de Mato Grosso do Sul é diferente da de Roraima (Raposa/Serra do Sol)" e de outros Estados.

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