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Maturuca sedia assembléia do CIR

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
07 de Fev de 2006

Os convidados da assembléia indígena saíram em comboio de Boa Vista
Inicia hoje em Maturuca, a 20 Km do Município do Uiramutã, na terra indígena Raposa Serra do Sol a 35ª Assembléia dos Povos Indígenas, promovida pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR).
Com a expectativa de presença de quase mil pessoas entre lideranças, delegados e convidados índios e não-índios, o evento vai até a próxima sexta-feira. Três ônibus cheios, caminhões e carros particulares saíram em comboio ontem da sede do CIR, na rua Sebastião Diniz, no bairro São Vicente.
O encontro tem como objetivos fazer uma avaliação geral das atividades realizadas no ano passado, discutir propostas, traçar metas e planos para o desenvolvimento sustentável das comunidades para este ano.
As lideranças do CIR acreditam na presença de um grande público. Foram distribuídos convites a todas as lideranças (agentes de saúde, professores, movimento das mulheres, catequeses, microscopistas, vaqueiros), enfim vários participantes entre índios e não-índios.
Os custos serão viabilizados pela Funai e pelo próprio Conselho. A Universidade Federal de Roraima (UFRR) disponibilizará dois dos três ônibus.
As lideranças darão atenção especial às questões fundiárias das terras indígenas do Estado, principalmente no que diz respeito à regularização de todas as terras, como Raposa Serra do Sol e outras áreas em conflito, uma vez que existem terras já homologadas e demarcadas que continuam com invasores dentro das demarcações.
Serão discutidos também os projetos de auto-sustentação, saúde e educação apresentados pelas lideranças indígenas, incluindo as dos estados de Rondônia e do Amazonas já confirmadas. A assembléia terá quatro dias para deliberar sobre todos os assuntos.
"O ideal é que nesse encontro nós pudéssemos formalizar uma união mais forte. Divididos não chegaremos a lugar nenhum, eu sinto que precisamos de 100% de apoio para conseguirmos mais rápido nossos direitos", afirmou o coordenador.
Para Sobral André, 50 anos, representante da Organização dos Professores Indígenas do Estado de Roraima, será a primeira vez que ele participa como representante dos professores. "Estou muito ansioso, vários projetos na área de educação serão vistos e a participação de outros estados valoriza o encontro", disse.
Em relação à segurança do evento, o coordenador do CIR disse ter se reunido semana passada na Funai com a Polícia Federal, Ministério Público, Ibama e a própria Funai, para pedir segurança para o evento, uma vez que havia ameaça de bloqueio nas estradas, supostamente feito pelos líderes contrários ao movimento. Segundo ele, não houve retorno ao pedido.
"Os não-índios têm o interesse em atrapalhar e chegam a fazer ameaças às nossas comunidades e lideranças, no sentido de bloquear as estradas. Apenas formalizei o pedido, mas nós não precisamos de segurança apenas para mais uma assembléia dos tuxauas. Não vejo motivo para preocupação", afirmou Trajano.
A Folha manteve contato com a Assessoria de Comunicação da Polícia Federal e até o fechamento da matéria não houve resposta.
ESTRUTURA - Não haverá problema de estrutura física para receber todos os participantes do encontro. Segundo a coordenação, é o mesmo local que recebeu na "festa da homologação" cerca de oito mil pessoas, e nesse encontro a presença será de no máximo de mil pessoas.
O retorno das comunidades após o término da assembléia será no sábado pela manhã. Da mesma forma como foi feito na ida, eles virão em comboio para Boa Vista.

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