GTA-Manaus-AM
12 de Ago de 2005
(Greenpeace) - Em resposta à ação do Greenpeace realizada na terça, 9 de agosto, expondo a destruição dos últimos castanhais nativos do Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Comunicação do Estado (Secom-MT) emitiu nota oficial classificando como "prioritária" a criação do Parque Estadual das Castanheiras, no norte do estado. Segundo a Secom, que deu destaque à nota em seu site na internet, a proposta de criação do Parque Estadual das Castanheiras já foi encaminhada pelo governo estadual e aceita pelo Ministério do Meio Ambiente para integrar o projeto de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), liderado pelo governo federal.
Na nota, o governo do Mato Grosso usa o nome "Parque Estadual das Castanheiras" proposto pelo Greenpeace. Até agora, o estado se referia à área como Manissuiá-Miçú.
O coordenador do projeto Arpa, Ronaldo Weigland, confirmou na tarde de quarta (10/08), em conversa com o Greenpeace, que a proposta faz parte da lista a ser analisada na próxima reunião do Arpa e dos doadores do projeto - que tem o apoio financeiro do Banco Mundial, do KFW alemão e da WWF, entre outros.
Para o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, a mera inclusão na lista do Arpa não significa que o parque será criado - e muito menos que isso ocorra com a urgência necessária, já que a decisão final passa por decisões estratégicas do governo federal e pelo crivo dos doadores.
"O coordenador do Arpa não disse, mas é óbvio que o parque só será criado - com apoio de recursos externos e do governo federal - se houver uma sinalização concreta do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, de que pretende realmente apoiar e implementar esse projeto", disse Adario. "É essa sinalização urgente - e as medidas decorrentes dela - que cobramos do governador".
O governo do Mato Grosso tem reduzido o tamanho de áreas protegidas e dado apoio à expansão acelerada de atividades que destroem a floresta e os cerrados, como a soja e a pecuária. O Mato Grosso é o campeão do desmatamento na Amazônia. No ano passado, o estado foi responsável por quase a metade (48%) dos 26.130 km2 devastados na região.
"A declaração de que o parque é 'prioritário' não basta", disse Nilo d'Avila, coordenador do programa do Greenpeace de proteção da área da BR-163, que está no Mato Grosso. "O tempo corre contra as declarações de intenção e a favor da pressão de pecuaristas, sojeiros, grileiros e madeireiros sobre toda aquela região. É preciso ação imediata ou a população do Mato Grosso e a Amazônia perderão parte de seu patrimônio ambiental".
Além dos castanhais - espécie ameaçada de extinção - o parque de 383 mil hectares também ajudaria a preservar as nascentes do rio Manissauiá-Miçu e primatas da espécie Callicebus, identificada recentemente na região.
Segundo o Greenpeace, toda a política ambiental do Mato Grosso deve ser revista para proteger efetivamente os remanescentes florestais do estado e promover o desenvolvimento sustentável na região. A organização está em expedição pela BR-163 para documentar os impactos socioambientais provocados pela rodovia - cujo asfaltamento total é prioridade do governo Lula.
(-GTA-Manaus-AM-12/08/05)
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