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Mata Atlântica tem água imprópria, diz estudo

O Globo, Sociedade, p. 29
23 de Mar de 2017

Mata Atlântica tem água imprópria, diz estudo

RIO - Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em 184 rios, córregos e lagos do bioma mostrou que apenas seis dos 240 pontos monitorados - ou seja, 2,5% - tinham água de boa qualidade. A maioria das localidades (168, ou 70%) teve classificação regular. Sessenta e três (26,3%) foram consideradas ruins. Houve, também, três pontos (1,2%) de qualidade péssima. Nenhum obteve classificação ótima.
Apenas os pontos de boa qualidade são apropriados para o abastecimento humano, lazer, pesca e produção de alimentos. São, também, aqueles com maiores condições de abrigar vida aquática.
O levantamento foi realizado entre março de 2016 e fevereiro de 2017 em bacias hidrográficas distribuídas por 73 municípios de 11 estados - Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além do Distrito Federal.
- A principal causa da poluição dos rios monitorados é o despejo de esgoto doméstico junto a outras fontes difusas de contaminação, que incluem a gestão inadequada dos resíduos sólidos, o uso de defensivos e insumos agrícolas, o desmatamento e o uso desordenado do solo - explica Malu Ribeiro, coordenadora de Recursos Hídricos da SOS Mata Atlântica.
De acordo com Malu, o elevado número de pontos com baixa qualidade são um alerta à gestão da água em regiões de grande concentração populacional. A coordenadora do levantamento avalia que a atual legislação é "permissiva" ao consumo de águas com poluentes.
A coleta e análise nas bacias hidrográficas foram realizadas por voluntários do programa "Observando os Rios". Para realizar a avaliação, foram considerados 16 quesitos: temperatura da água, temperatura do ambiente, turbidez, espumas, lixo flutuante, odor, material sedimentável, peixes, larvas e vermes vermelhos, larvas e vermes brancos, coliformes totais, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico (pH), fosfato (PO4) e nitrato (NO3).
REÚSO EM VEZ DE TRATAMENTO
Também divulgado ontem, o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos propõe uma alteração na destinação das sobras da produção agrícola e industrial e do consumo nas cidades: de "tratamento e eliminação", para "reúso, reciclagem e recuperação de recursos".
- A água residual é um recurso valioso num mundo onde a água é finita e a demanda é crescente - disse Guy Ryder, presidente da ONU-Água e diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho.
Mas o cuidado com a água após o uso ainda é precário: mais de 80% das águas residuais são despejadas no meio ambiente sem o cuidado adequado.

O Globo, 23/03/2017, Sociedade, p. 29

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/aguas-da-mata-atlant…

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