CB, Brasil, p.19
27 de Mai de 2004
Mata Atlântica definha
Organização não-governamental e Inpe lançam no Senado o atlas de um dos biomas mais ameaçados do mundo, com 93% de sua área devastada
Um atlas de municípios da Mata Atlântica lançado ontem no Senado tem forte propósito político e vai tentar chamar a atenção de candidatos a prefeito de mais de 2,7 mil cidades de 17 estados que estão dentro desse bioma. Feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o documento mostra a situação em que se encontra a fauna e a flora da região litorânea que vai do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. A idéia é que o atlas sirva de instrumento de pressão no Senado, já que o projeto de lei de uso e conservação da Mata Atlântica foi aprovado por unanimidade na Câmara ano passado, e até agora não foi votado pelos senadores.
De todos os biomas do Brasil, a Mata Atlântica é o que mais desaparece com o passar do tempo. É também o que menos tem projetos de conservação. Com 1,3 milhão de metros quadrados, ocupa 15% do território nacional. Desde a época do descobrimento do Brasil, essa região já teve 93% de sua área devastada. Segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), das 400 espécies de animais ameaçados de extinção na fauna brasileira, 70% estão na Mata Atlântica. Entre eles, a onça-pintada, o tatu-canastra, a lontra e o papagaio-da-cara-roxa.
Uso de satélites
Para elaborar o atlas, o Inpe, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, usou dois satélites que mapearam a região por meio de fotografias espaciais. "0 atlas permite uma visualização do que resta da Mata Atlântica em municípios que tem áreas desse bioma acima de dez hectares", observa Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica. Ele explica ainda que municípios com áreas inferiores a dez hectares de Mata Atlântica não aparecem no atlas porque, em termo de conservação da biodiversidade, esse índice é pouco representativo.
Em todo o mundo, a Mata Atlântica é o segundo bioma mais ameaçado, perdendo apenas para as quase extintas florestas da Ilha de Madagascar, na
costa da África. Em 1991, a Fundação SOS Mata Atlântica colheu 1,2 milhão de assinaturas para elaborar um documento que se transformou no projeto de lei de conservação, aprovado no ano passado na Câmara. Segundo a fundação, o projeto ainda não foi votado no Senado por conta de pressões da bancada ruralista. "0 projeto corre o risco de ser desfigurado ou mesmo devolvido para a Câmara por causa dessa pressão", diz Mantovani, diretor da ONG.
No ano passado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, garantiram que o projeto seria votado até hoje, quando se comemora o Dia da Mata Atlântica. Como a promessa não foi cumprida, os ambientalistas passaram a duvidar se o projeto vai, de fato, virar lei.
A publicação mostra que, entre as capitais dos estados que estão dentro da Mata Atlântica, Florianópolis (SC) ocupa o primeiro lugar no ranking das cidades que mais tem áreas remanescentes desse tipo de vegetação. A capital catarinense tem 18 mil hectares de Mata Atlântica, representando 42% do que havia originalmente. 0 atlas mostra que os dez municípios que mais preservaram esse bioma foram: Ilhabela (SP), Barro Preto (BA), Riozinho (RS), Ubatuba (SP), Iporanga (SP), Uruúca (BA), Morretes (PR), Antonina (BA) Tapiraí (SP) e Pedro de Toledo (SP).
CB, 27/05/2004, p. 19
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