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Marinha seleciona defesa de áreas marítimas

OESP, Polícia, p. A8
18 de Jan de 2014

Marinha seleciona defesa de áreas marítimas
Evento reuniu empresas interessadas em integrar sistema de proteção da chamada Amazônia Azul; orçamento é de R$ 14 bi

ROBERTA PENNAFORT / RIO

Gigantes como a Airbus e a Boeing, além de empresas da Itália, Israel e Inglaterra, estão de olho no processo seletivo que a Marinha está abrindo para o desenvolvimento e operação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz). Trata-se de um projeto de orçamento provável de R$ 14 bilhões e implementação até 2025 que visa ao monitoramento e proteção de 4,5 milhões de quilômetros quadrados marítimos por meio de recursos de alta tecnologia.
Ontem de manhã, a Diretoria de Gestão de Programas Estratégicos da Marinha (DGePEM) convocou empresas interessadas para uma apresentação sobre o que o governo espera do sistema. Representantes de empresas nacionais e estrangeiras lotaram o auditório da Escola de Guerra Naval, no Rio.
Como se trata de uma área sensível, apenas proponentes brasileiras poderão se habilitar para coordenador o sistema - estrangeiros serão aceitos em consórcios. Das nacionais, só serão consideradas as 26 credenciadas no Ministério da Defesa como Empresas Estratégicas de Defesa.
O projeto foi conceituado entre 2011 e 2013, ao custo de R$ 38 milhões, e está inserido no conjunto de medidas do governo para fortalecer a defesa do País - o que inclui o desenvolvimento do Sistema de Monitoramento das Fronteiras (SisFron) e a expansão da rede de Defesa do Espaço Aéreo.
As propostas têm de ser encaminhadas até julho à Marinha, que em junho de 2015 divulgará a vencedora. O cronograma prevê desenvolvimento em quatro módulos na próxima década, com instalação de equipamentos como satélites, sensores, radares e aviões não tripulados. As empresas terão de visitar os locais a serem monitorados para visualizar as dificuldades do trabalho.
A Amazônia Azul se estende do Amapá ao sul do Rio Grande do Sul - o nome remete à Amazônia porque a extensão é semelhante à da floresta. A principal missão do sistema é resguardar as águas jurisdicionais brasileiras com vistas a proteger suas riquezas - como a reserva petrolífera da camada pré-sal - e fornecer informações para evitar e responder a desastres ambientais, chamados de socorro e ameaças externas.
Custo. "Não estamos fazendo uma licitação pelo menor preço, e sim pela melhor relação custo-benefício. O custo é irrisório se comparado às riquezas produzidas no mar", disse o vice-almirante Antônio Carlos Frade Carneiro, à frente da DGePEM.
Segundo o vice-almirante, não será aceita proposta que contenha equipamentos a serem importados. "Queremos a transferência de tecnologia para o Brasil, para que o Brasil seja soberano na área da defesa".
O francês Albert Cavaco, diretor de programas estratégicos da Airbus Defense and Space, uma das interessadas em participar, acredita que a grande dificuldade do projeto é o alcance do monitoramento - até 648 quilômetros da costa. "Mas não é impossível. O Brasil está desenvolvendo um dos programas mais ambiciosos do mundo."

OESP, 18/01/2014, Polícia, p. A8

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,marinha-seleciona-defesa-de…

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