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Marina promete endurecer com corruptos

JB, Pais, p.A2
06 de jun de 2005

Marina promete endurecer com corruptos
Rosane Garcia
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abriu ontem, no Parque da Cidade de Brasília, as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, com um recado aos corruptos. Sem querer antecipar as próximas ações, afirmou que novas medidas serão adotadas para conter não somente a devastação florestal, mas também a corrupção, ''tão nociva quanto o desmatamento para o meio ambiente''.
Com relação à participação de petistas nas irregularidades flagradas no Mato Grosso, Marina afirmou que essa é uma questão para o PT matogrossense resolver. Não houve, segundo ela, durante a execução do plano, a preocupação de poupar quem quer que fosse.
- As pessoas, pertencendo ou não ao partido, foram investigadas com o mesmo rigor. Minha responsabilidade como ministra de Estado do Meio Ambiente era a de extirpar o tumor. A responsabilidade de punir essas pessoas fica a cargo do PT do Mato Grosso - afirmou.
Quanto às contribuições de madeireiros da região às campanhas eleitorais no estado, Marina defendeu a aprovação, pelo Congresso Nacional, do financiamento público das campanhas, um dos pontos constantes da reforma política, que está parada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
- O que vai nos ajudar é que os partidos, sejam de esquerda, de direita, de centro, tirem os tumores que estão dentro deles. O PT não tem medo de cortar na própria carne e fez isso por dentro da administração pública - afirmou a ministra.
Para ela, não são os partidos que fazem com que pessoas sejam corruptas, mas o caráter de cada um. Marina Silva afirmou que existem pessoas honestas no PT, no PFL, no PSDB e em todos os outros partidos.
Emocionada com a operação no Mato Grosso, que resultou na prisão de 86 pessoas, entre elas o superintendente local do Ibama e dois outros petistas, Marina Silva afirmou que, ''apesar de ter golpeado a cabeça da serpente, a cauda ainda se move'', numa referência a uma eventual rede de corruptores que lucram com o desmatamento na região amazônica.
Segundo a ministra, o Plano de Combate ao Desmatamento, coordenado pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, envolvendo 13 ministérios, foi produto de 20 meses de investigações. Marina afirmou que os desvios e irregularidades ocorriam há mais de 14 anos, ainda na época do extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e 21 dos 40 servidores de carreira que foram afastados ocuparam cargos de confiança ao longo de vários governos.
A operação contou com o empenho pessoal do presidente do Ibama, Marcus Barros, e com um trabalho operacional da Polícia Federal e do Ministério Público. Ela recordou que, no passado, atuou ao lado do seringalista Chico Mendes contra a ação predatória dos madeireiros na região amazônica. Na época, eles eram o alvo da ação policial.
- Pela primeira vez no Brasil, a Polícia Federal, o Exército, o Ministério Público, o próprio Ibama e o Ministério do Meio Ambiente estão juntos em defesa da floresta - afirmou a ministra, lembrando que é preciso romper com o sistema que quer fazer agricultura, exploração madeireira e pecuária sustentáveis na Amazônia.

JB, 06/06/2005, p. A2

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