OESP, Nacional, p. A11
18 de Mai de 2007
Marina pede apoio do PT na Câmara para mudar Ibama
Ministra ouve críticas de deputados pelo fato de reforma ter sido encaminhada por MP e não por projeto de lei
Denise Madueño
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu ontem apoio à bancada do PT na Câmara para a aprovação da medida provisória que reestrutura o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e cria o Instituto Chico Mendes para tratar das unidades de conservação do País.
Em reunião na Câmara, ela foi questionada pelos petistas sobre o fato de a mudança ter sido feita por medida provisória e não por projeto de lei. "Existem alguns parlamentares que discordam do instrumento, mas não discordam do mérito, de sorte que eles têm algumas questões quanto a ser medida provisória, mas, no mérito, eles estão favoráveis", observou a ministra em entrevista na saída da reunião. E argumentou que a reforma no Ibama é debatida "há décadas" por diferentes governos e pelas pessoas que acompanham a agenda ambiental do País.
Marina apresentou números para defender a necessidade de criação do Instituto Chico Mendes. De acordo com ela, quando o Ibama foi criado pelo ex-presidente e hoje senador José Sarney (PMDB-AP), há 19 anos, o País tinha apenas 103 unidades de conservação, num total de 15 milhões de hectares. Hoje são 298 unidades e 60 milhões de hectares e, segundo a ministra, até o fim de 2010 somarão 90 milhões de hectares.
"Isso equivale a França e a Itália juntas e é impossível cuidar de tudo isso com apenas uma diretoria", argumentou. "A criação da autarquia Instituto Chico Mendes é fundamental para viabilizar a criação e a implementação das unidades de conservação. E o Ibama, focado no licenciamento, na fiscalização e nas autorizações, para dar cada vez mais eficiência à gestão ambiental no que concerne a fiscalizar, licenciar e autorizar."
PREOCUPAÇÃO
Alguns deputados que têm base eleitoral junto a servidores públicos demonstraram preocupação com o fato de funcionários do Ibama estarem contra a mudança. "Temos de olhar o meio ambiente não focado nos funcionários, mas no conjunto da sociedade", afirmou o líder do PT, Luiz Sérgio (RJ), em defesa da MP. "Ser governo é tomar posição. Se tiver de desagradar à corporação, vamos desagradar, mas agradar à sociedade."
Um pequeno grupo de servidores do instituto ficou próximo do local da reunião pedindo aos deputados que não apoiassem a MP. "O que tem mais força, um departamento dentro de um órgão ou um órgão com autonomia financeira para tratar de conservação?", contra-argumentava o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) perante o grupo. O deputado Geraldo Magela (PT-DF) foi a única voz na reunião a dizer que precisava de mais informações antes de definir sua posição. Repetiu o mesmo aos servidores. "Estou aberto ao convencimento de parte a parte. Não tenho posição definida ainda."
OESP, 18/05/2007, Nacional, p. A11
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