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Autor: Dennis Barbosa
14 de Ago de 2010
A candidata à Presidência da República pelo PV Marina Silva defendeu neste sábado (14) que o desenvolvimento econômico da Amazônia tem de passar pela inclusão social da população local, com investimento em educação e tecnologia específica para a região. Assim como os EUA têm o Vale do Silício, a Amazônia pode ser "a grande planície do desenvolvimento sustentável", argumentou.
"Não é possível que uma população assentada sobre tantas riquezas viva numa situação de tantas mazelas sociais", disse, ao propor o que chama de "um novo caminho em cima do patrimônio natural e cultural" para a região.
Única natural da Amazônia entre os presidenciáveis, Marina participou em Manaus de uma sabatina para apresentar suas propostas para a região e respondeu perguntas do público a respeito.
A presidenciável concorda que a região, assim como todo o país, precisa de obras de infraestrutura, mas que elas devem contemplar também as necessidades dos moradores locais. "Podem ter certeza que vamos prover a infraestrutura necessária", afirmou. "Mas sem tratar os problemas sociais como se fossem externalidades."
Marina lembrou que quando foi ministra do Meio Ambiente alertava que o governo Lula não deveria manter o que chama de "política do pires na mão", que consiste na ida dos governantes e legisladores para os diferentes pontos da Amazônia para recolher demandas puverizadas, em detrimento de um plano de desenvolvimento sustentável integrado. "Disse que a Amazônia é uma grande solução, não um problema", destacou.
A candidata acredita ser possível desenvolver a Amazônia integrando todos os segmentos produtivos. "Não é preciso abrir mão do agronegócio para ter agricultura familiar, abrir mão da indústria para ter extrativismo", exemplificou. Em relação aos setores da soja e da pecuária, que vivem na mira de ambientalistas por pressionarem o desmatamento na região, Marina disse que, com vontade dos produtores e com apoio do governo para aumentar a produtividade, podem passar do papel de "bandidos para mocinhos".
Zona Franca
Marina reafirmou também o compromisso de manter a Zona Franca de Manaus e seu regime especial de tributação, mas observou que sua continuidade precisa estar integrada com outras iniciativas de desenvolvimento sustentável em outras partes do estado do Amazonas.
O avanço de uma economia sustentável e adequada à realidade amazônica passa por fortes investimentos numa "educação que integre o melhor da tecnologia e o melhor da tradição", segundo a candidata acriana. Faltaria, por exemplo, um ensino técnico específico para formar mão de obra para gerir uma economia florestal. "Um país que não é capaz de prover para os melhores empregos aos seus próprios filhos, está fadado ao fracasso".
O investimento em tecnologia específica para a Amazônia também será priorizado caso seja eleita, segundo Marina. "As comunidades indígenas têm um conhecimento milenar que é fundamental para qualquer projeto de pesquisa", disse, ressaltando que esse saber deve ser usado de forma a beneficiar também os índios.
Belo Monte
Marina criticou algumas medidas do governo atual para a Amazônia e em questões ambientais, como a costrução de Belo Monte e o projeto do novo Código Florestal, que aguarda votação no Senado. Sobre a megausina a ser construída no Pará disse que "Belo Monte sequer viabilidade econômica tem, porque está sendo subsidiada pelo governo".
Em relação ao Código Florestal, a presidenciável fez críticas mais duras: "o relatório é um dos piores retrocessos na legislação ambiental brasileira". "Um pais que tem 60% de florestas e tem um código para protegê-las, está revogando este princípio. As florestas são de interesse social de todos os brasileiros. Revogando o Código que defende a floresta, estão dizendo que deixarão de ser do interesse de todos os brasileiros para ser do interesse de apenas alguns", disse, ao indicar que o objetivo da proposta da reforma da lei é "avançar a fronteira agrícola".
Porto Velho- Manaus
A candidata posicionou-se contra a recuperação da rodovia BR 319, que liga Porto Velho a Manaus. A obra está no PAC, mas aguarda adequações ambientais. A estrada passa numa região de floresta preservada e de baixa população. Ambientalistas temem que a reabertura da rodovia, atualmente "engolida" pela floresta, irá abrir uma nova frente de desmatamento. "É de conhecimento público minha posição de que, com a hidrovia (do Rio Madeira) e o ordenamento da BR 163 (Cuiabá-Santarém) não há necessidade dessa estrada", disse Marina.
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